Para proteger sua biodiversidade agrícola dos impactos da guerra, a Ucrânia fez seu primeiro depósito de sementes desde 2012 no Banco Mundial de Sementes do Ártico, na Noruega. A medida busca salvaguardar o patrimônio genético do país, considerado o celeiro da Europa, após ataques russos danificarem instalações de pesquisa em Kharkiv em 2022. Conhecida como Arca de Noé vegetal, a estrutura subterrânea funciona como reserva de segurança global para culturas essenciais diante de catástrofes e conflitos.
Construído em túneis escavados em uma montanha, a pouco mais de 1.000 quilômetros do Polo Norte, o banco é uma espécie de "Arca de Noé" vegetal que busca proteger a biodiversidade diante de catástrofes naturais, guerras, mudanças climáticas, doenças e ações humanas.
Este é o primeiro depósito ucraniano no banco desde 2012, acrescentou o ministério. Considerada o "celeiro da Europa", a Ucrânia possui uma coleção genética com mais de 154 mil amostras que representam cerca de 2.000 espécies, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O banco nacional de genes do país, localizado em Kharkiv, no leste da Ucrânia, teve prédios e instalações danificados por bombardeios russos em 2022. Após os ataques, a coleção foi transferida para o oeste do país, longe da linha de frente, lembra o Ministério da Agricultura norueguês.
Inaugurado em 2008 com financiamento da Noruega, o Banco Mundial de Sementes é composto por três câmaras-fortes refrigeradas que hoje abrigam mais de 1,4 milhão de amostras, que podem ser retiradas a qualquer momento por seus proprietários. Em 2018, a "Arca de Noé" celebrou dez anos, e 23 bancos de sementes de diferentes países depositaram mais de 70 mil amostras de cultivos como trigo, ervilha e milho
Distante de zonas de conflito e situado a uma altitude que o protege da elevação do nível dos oceanos, o banco foi projetado para resistir a desastres, mesmo em caso de falha do sistema de refrigeração, graças à sua localização sob o permafrost, solo que permanece congelado durante todo o ano.
A guerra na Síria mostrou pela primeira vez a importância prática da iniciativa. O conflito destruiu a sede do Centro Internacional de Pesquisas Agrícolas em Zonas Áridas (Icarda), em Aleppo, levando a instituição a recorrer às amostras que havia armazenado na Noruega.
Em 2015, foram retiradas 38 mil sementes, na primeira solicitação desse tipo desde a criação da reserva. As sementes foram multiplicadas em áreas de cultivo no Marrocos e no Líbano para recompor o estoque perdido, permitindo posteriormente a devolução de 35 mil amostras a Svalbard. A cópia da coleção de Aleppo havia sido depositada no banco em 2008, apenas três anos antes do início da guerra na Síria.
Apoio da UE para encerrar guerra
Nesta quinta, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegou a Bruxelas para reuniões com dirigentes da Otan e da União Europeia, na esperança de obter uma "pressão real" sobre a Rússia.
Os 27 líderes da União Europeia estão reunidos nesta quinta e sexta-feira (16) em Bruxelas, em uma cúpula que discutirá o orçamento do bloco. O reforço do apoio europeu à Ucrânia será discutido na sexta-feira pelos líderes da UE, mas nenhuma decisão é esperada ao fim da cúpula, segundo diplomatas.
A transferência de recursos financeiros e militares ao país está garantido para 2026, mas 2027 se anuncia difícil, com um déficit orçamentário significativo em relação ao que estava previsto. A União Europeia concedeu um empréstimo de € 90 bilhões para o período de 2026 a 2027, dos quais € 45 bilhões estão previstos para o próximo ano.
Com agências