O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira que "é preciso deixar a ONU continuar", quando perguntado sobre seus planos para um chamado "Conselho da Paz", que alarmou especialistas internacionais.
Governos de todo o mundo reagiram com cautela ao convite de Trump para participar dessa iniciativa que, segundo o presidente dos EUA, visa resolver conflitos em nível global, um plano que, segundo diplomatas, poderia prejudicar o trabalho da Organização das Nações Unidas.
"Talvez", disse Trump quando perguntado por um repórter se ele queria que o "Conselho da Paz substituísse a ONU".
"A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca fez jus ao seu potencial", disse Trump em um briefing.
"Acredito que é preciso deixar a ONU continuar porque o potencial é muito grande", acrescentou.
A Casa Branca nomeou na sexta-feira algumas pessoas que farão parte do conselho, incluindo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial de Trump Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner.
Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, adotada em meados de novembro, autorizou o chamado "Conselho da Paz" e os países que trabalham com ele a estabelecer uma força de estabilização internacional em Gaza, onde um frágil cessar-fogo começou em outubro sob um plano de Trump que Israel e o grupo militante palestino Hamas assinaram.
De acordo com o plano de Trump para Gaza, o conselho deveria supervisionar a governança temporária de Gaza. Posteriormente, Trump disse que o conselho seria ampliado para lidar com conflitos em todo o mundo.
Observadores dizem que esse conselho poderia prejudicar a ONU. Muitos especialistas e defensores dos direitos humanos também disseram que a liderança de um conselho por Trump para supervisionar os assuntos de um território estrangeiro se assemelhava a uma estrutura colonial, enquanto o envolvimento de Blair foi criticado devido ao seu papel na guerra do Iraque e à história do imperialismo britânico no Oriente Médio.
O cessar-fogo em Gaza alcançado com o plano de Trump também tem sido frágil. Mais de 460 palestinos, incluindo mais de 100 crianças, e três soldados israelenses foram mortos desde o início da trégua em outubro.