Trump acusa Dinamarca de não conter Rússia na Groenlândia e diz que 'chegou a hora' e 'será feito'

Declaração reacende disputa diplomática sobre o território ártico e amplia tensões entre Washington e aliados europeus

19 jan 2026 - 07h54
Resumo
Trump criticou a Dinamarca por não conter a influência russa na Groenlândia, reacendendo tensões diplomáticas ao propor a incorporação do território aos EUA, causando rejeição local e europeia.
Presidente dos EUA, Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA
5 de maio de 2025 
REUTERS/Leah Millis
Presidente dos EUA, Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA 5 de maio de 2025 REUTERS/Leah Millis
Foto: Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar a Dinamarca em relação à Groenlândia, alegando que o país europeu falhou em conter a influência russa sobre o território. Em publicação na rede Truth Social, neste domingo, 18, Trump afirmou que "chegou a hora" de resolver a questão, "e isso será feito!!!", completou.

Na publicação, o presidente afirma que a Otan vem alertando há duas décadas sobre a necessidade de reduzir a presença russa na região, mas o governo dinamarquês "não fez nada" para enfrentar o problema. O republicano tem defendido abertamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos.

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A proposta, rejeitada tanto por Copenhague quanto pelo governo autônomo da ilha, reacendeu tensões diplomáticas. Líderes dinamarqueses reiteraram que o território não está à venda e que a Groenlândia já é protegida pelo acordo de defesa coletiva da Otan.

No sábado, Trump também ameaçou impor tarifas sobre parceiros europeus até que Washington obtenha autorização para negociar a compra da ilha. Ele argumenta que o aumento da presença chinesa e russa no Ártico torna a Groenlândia estratégica para a segurança dos EUA.

O final de semana na Groenlândia foi marcado por protestos contra o mandatário americano. Manifestantes carregavam cartazes de protesto, agitavam a bandeira nacional e entoavam: "A Groenlândia não está à venda", em apoio à sua autonomia diante das crescentes ameaças de uma anexação americana.

Pessoas seguram bandeiras e cartazes da Groenlândia enquanto se reúnem perto do Consulado dos Estados Unidos para protestar contra o presidente americano Donald Trump e sua intenção anunciada de anexar a Groenlândia, em 17 de janeiro de 2026
Foto: Sean Gallup/Getty Images

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores da Groenlândia participou de uma tensa reunião de alto nível em Washington, a primeira vez que a ilha se envolve diretamente em algo dessa magnitude. O secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance estão mantendo diálogos com autoridades groenlandesas e dinamarquesas sob a sombra das ameaças crescentes de Trump, que recentemente prometeu "fazer algo pela Groenlândia, quer eles gostem ou não".

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Entrevistas realizadas nos últimos dias com habitantes da ilha de diferentes partes do território e diferentes classes sociais revelam que as pessoas não querem ser recolonizadas por uma nova potência externa e que apenas uma pequena minoria tem o mais leve interesse em se juntar aos Estados Unidos.

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Eles gostam do sistema de bem-estar social escandinavo, com assistência médica gratuita, educação gratuita e uma forte rede de segurança. Eles se sentem conectados à Dinamarca, mesmo que ainda haja ressentimentos em relação às épocas anteriores de colonialismo e abuso.

E eles certamente não querem ser comprados por ninguém, mas reconhecem que, economicamente, não conseguem se sustentar sozinhos.

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