O governo de Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (16/01) os nomes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como dois dos membros fundadores de seu "Conselho da Paz" para Gaza.
O enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, também farão parte do "conselho executivo fundador", disse a Casa Branca em um comunicado.
Trump atuará como presidente do conselho, que faz parte de seu plano de 20 pontos para encerrar a guerra entre Israel e o Hamas.
Espera-se que o conselho supervisione temporariamente a administração de Gaza e gerencie sua reconstrução.
Também fazem parte do conselho executivo fundador Marc Rowan, chefe de uma empresa de private equity; o diretor-geral do Banco Mundial, Ajay Banga; e o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Robert Gabriel.
Cada membro terá uma área de atuação "crucial para a estabilização e o sucesso a longo prazo de Gaza", disse o comunicado da Casa Branca.
Trump havia dito na quinta-feira (15) que o conselho havia sido formado, chamando-o de "O Maior e Mais Prestigiado Conselho já reunido em qualquer época e lugar".
Outros membros do conselho serão anunciados nas próximas semanas, informou a Casa Branca.
Tony Blair foi primeiro-ministro do Reino Unido de 1997 a 2007 e liderou a entrada do país na Guerra do Iraque em 2003.
Após deixar o cargo, atuou como enviado para o Oriente Médio do Quarteto de Paz para o Oriente Médio (formado pelos EUA, Rússia, União Europeia e Nações Unidas).
A divulgação dos nomes nesta sexta-feira ocorre após outro anúncio, o de um comitê tecnocrático palestino composto por 15 membros.
O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) será encarregado de gerenciar o dia a dia de Gaza no pós-guerra.
Quem chefiará esse novo comitê será Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina (AP), que governa partes da Cisjordânia ocupada que não estão sob controle israelense.
Nickolay Mladenov, político búlgaro e ex-enviado das Nações Unidas (ONU) para o Oriente Médio, será o representante do conselho no terreno em Gaza.
O plano de Trump prevê que uma Força Internacional de Estabilização (FIE) seja enviada a Gaza para treinar e apoiar forças policiais palestinas.
A Casa Branca afirmou que o major-general americano Jasper Jeffers chefiará essa força para "estabelecer segurança, preservar a paz e estabelecer um ambiente duradouro livre de terrorismo".
O governo americano disse ainda que um "conselho executivo de Gaza" está sendo formado para apoiar a administração do território e incluirá alguns dos mesmos nomes do conselho executivo fundador, bem como outros membros.
O plano de paz dos EUA entrou em vigor em outubro e desde então iniciou sua segunda fase — mas ainda há muitas dúvidas sobre o futuro de Gaza e dos 2,1 milhões de palestinos que vivem lá.
Na primeira fase do plano, o Hamas e Israel concordaram com um cessar-fogo em outubro, bem como a troca de reféns israelenses e prisioneiros palestinos, uma retirada parcial de Israel do território e o aumento da ajuda humanitária.
No início desta semana, Witkoff afirmou que a segunda fase contemplaria a reconstrução e a desmilitarização completa de Gaza, incluindo o desarmamento do Hamas e de outros grupos palestinos.
"Os EUA esperam que o Hamas cumpra integralmente suas obrigações", alertou ele, afirmando que tal compromisso inclui a devolução do corpo do último refém israelense morto.
"O não cumprimento acarretará sérias consequências."
No entanto, o cessar-fogo é frágil, com ambos os lados acusando-se mutuamente de violar seus termos.
Quase 450 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde que o cessar-fogo entrou em vigor, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
Já as forças israelenses afirmam que três de seus militares foram mortos em ataques conduzidos por grupos palestinos durante o mesmo período.
As condições humanitárias no território permanecem críticas, segundo a ONU, que enfatizou a necessidade do fluxo irrestrito de suprimentos essenciais.
A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram feitas reféns.
Desde então, mais de 71.260 pessoas foram mortas em ataques israelenses em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde no território.