"O objetivo é incentivar cidadãos chineses, dentro e fora do país, a fornecer informações com coragem", diz NSB em comunicado divulgado no mesmo dia. O serviço de inteligência descreve um "número crescente" de chineses que "compartilham valores democráticos", que tem procurado as autoridades de Taiwan "com o objetivo de fornecer diferentes tipos de informações" e "proteger a segurança nacional da ilha".
Na segunda-feira, o NSB informou que o site funcionava "normalmente" e que irá "filtrar rigorosamente", avaliar e monitorar as informações transmitidas pela plataforma.
Segundo o NSB, que ativou a plataforma na véspera do lançamento oficial, o site funciona como um canal seguro para o envio de informações e foi desenvolvido com foco na proteção da comunicação e no anonimato dos usuários, diante da forte vigilância da internet pela China. A plataforma prevê procedimentos distintos para quem está no país ou no exterior, além de orientações de segurança para completar o envio dos dados.
Analistas, no entanto, divergem sobre as implicações da iniciativa para a segurança de Taiwan.
"Há, de fato, um grande número de descontentes na China, tanto entre cidadãos comuns quanto dentro do governo e das Forças Armadas", afirmou Su Tzu-yun, especialista militar do Instituto de Pesquisa em Defesa e Segurança Nacional de Taipé. Segundo ele, a plataforma pode ajudar a diversificar as fontes de inteligência.
"Devido à ditadura exercida por um único homem, (o presidente chinês) Xi Jinping, há um forte descontentamento (...) Acho que essa iniciativa tem potencial", acrescentou.
Medida faz de Taiwan um "alvo fácil"
Outro pesquisador, no entanto, manifestou preocupação com os riscos da ferramenta. "O que a China continental vê agora é um site completamente aberto", destacou Chieh Chung, professor assistente da Universidade Tamkang. Para ele, a iniciativa representa "um risco significativo" para Taiwan, que se torna um "alvo fácil", avaliou.
O NSB afirmou ter se inspirado em "práticas adotadas por serviços de inteligência dos Estados Unidos, do Reino Unido e de Israel".
Segundo Chieh, no entanto, esses países dispõem de "recursos financeiros e humanos significativos" para filtrar informações e reforçar a cibersegurança. Já a situação de Taiwan é "exatamente o oposto", disse ele, ressaltando que a China continental investe mais em recursos humanos e tem capacidades de ciberataque em constante expansão.
O professor declarou estar "muito preocupado" com a capacidade de Taiwan "de enfrentar esse desafio".
A China comunista considera a ilha democrática parte de seu território e ameaça usar a força para assumir o controle. Taipei, por sua vez, acusa Pequim de espionagem contra a ilha.
RFI com AFP