Síria condena Bashar al-Assad à morte por assassinatos e tortura

11 ago 2026 - 08h33
(atualizado em 12/8/2026 às 07h27)

Um tribunal sírio condenou o líder deposto Bashar ‌al-Assad à morte nesta terça-feira, após um julgamento à revelia, considerando-o culpado de crimes que incluem assassinatos, tortura e prisões arbitrárias durante a guerra de quase 14 anos no país.

Foi a primeira condenação na Síria contra Assad, que foi deposto em uma ofensiva rebelde em dezembro de 2024 que pôs fim a décadas de governo autoritário de ⁠sua família na Síria e à guerra brutal que matou centenas de milhares de ‌sírios.

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Sírios se reuniram em torno do tribunal em Damasco, entoando gritos de apoio, batendo palmas e agitando a bandeira síria à medida que a notícia das sentenças se ‌espalhava.

Assad fugiu da capital, Damasco, quando os combatentes rebeldes ‌se aproximavam, há quase dois anos, e atualmente está na Rússia, onde ⁠ele e sua família receberam asilo por motivos humanitários.

Em um julgamento de ex-autoridades do governo na terça-feira, um juiz proferiu sentença de morte contra o ex-presidente pelos crimes de "homicídio premeditado e intencional de mais de uma pessoa e de crianças, tortura, prisão arbitrária e crimes contra a humanidade".

O juiz proferiu a mesma sentença à revelia contra Maher, ‌irmão de Assad, que chefiava a temível Quarta Divisão Blindada, responsável pela repressão aos protestos, ‌pela reconquista de território sírio ⁠em nome de Assad ⁠e acusada de liderar a produção e o comércio de drogas para enriquecer Assad.

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Também foi proferida ⁠sentença de morte contra Atef Najib, um oficial ‌de segurança da era Assad ‌na província de Deraa, no sul do país, onde eclodiram os primeiros protestos contra Assad em 2011.

Najib, primo dos Assad, foi detido pelas forças de segurança sírias no início de 2025 e foi o único acusado a ser julgado ⁠pessoalmente.

DEPOSTO EM OFENSIVA RELÂMPAGO

Assad, nascido em 1965, assumiu a Presidência em 2000 após a morte de seu pai, Hafez.

Ele manteve o domínio da família e o predomínio da seita alauita no país de maioria muçulmana sunita, bem como o status da Síria como aliada da Rússia e do Irã, ‌ao mesmo tempo em que se mantinha hostil a Israel e aos EUA.

Marcado em seus primeiros anos pela guerra do Iraque e pela presença militar da Síria no ⁠Líbano, o governo de Assad foi definido pela guerra que se intensificou a partir da Primavera Árabe de 2011, quando sírios que exigiam democracia saíram às ruas e foram recebidos com força letal por suas forças de segurança.

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Chamado de "animal" em 2018 pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por usar armas químicas — acusação que ele negou —, Assad sobreviveu a muitos dos líderes estrangeiros que acreditavam que sua queda era iminente nos primeiros dias do conflito, quando perdeu vastas áreas da Síria para os rebeldes.

Mas, em 2024, rebeldes liderados pelo atual presidente Ahmed al-Sharaa varreram a Síria em uma ofensiva relâmpago que durou menos de duas semanas.

Assad já tem um mandado de prisão na França pelo bombardeio de um centro de imprensa em Homs em 2012.

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