Quem é Keir Starmer e como o caso Epstein levou a sua queda no Reino Unido

Após menos de dois anos no poder, primeiro-ministro deixa o cargo em meio a crises políticas, desgaste eleitoral, pressões internas e controvérsias no governo britânico

22 jun 2026 - 09h16

A trajetória de Keir Starmer no governo britânico, iniciado em 2024 após a vitória trabalhista que encerrou 14 anos de governos conservadores, passou a ser marcada por uma sequência de desgastes políticos que se intensificaram ao longo dos quase dois anos no poder. O processo culminou na renúncia à liderança do Partido Trabalhista nesta segunda-feira, 22.

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Starmer é um político britânico que construiu sua carreira com foco em pautas institucionais e no combate à criminalidade. À frente do governo, enfrentou pressões internas e perda de popularidade ao longo do mandato, em meio a críticas sobre o ritmo de entrega de suas promessas econômicas e sociais.

A liderança do premiê começou a ser mais fortemente questionada em fevereiro, após a repercussão dos laços do ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

Keir Starmer, primeiro-ministro Reino Unido, deixa o cargo em meio a crises políticas, desgaste eleitoral, pressões internas e controvérsias no governo britânico
Keir Starmer, primeiro-ministro Reino Unido, deixa o cargo em meio a crises políticas, desgaste eleitoral, pressões internas e controvérsias no governo britânico
Foto: Getty Images

Mandelson havia sido nomeado pelo próprio premiê em fevereiro do ano anterior e permaneceu no cargo por sete meses, antes de deixar a função em meio ao avanço das investigações e das pressões políticas.

Em fevereiro, o ex-embaixador chegou a ser detido por suspeita de má conduta no exercício de função pública, após documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicarem que ele teria compartilhado informações confidenciais e recebido recursos financeiros ligados a Epstein.

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O episódio se tornou um dos principais focos de desgaste do governo e passou a alimentar a crise política que levou à queda de Starmer, ampliando a pressão sobre o premiê em um momento de crescente fragilização de sua liderança.

A controvérsia levou à renúncia do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, que afirmou ter recomendado a nomeação e classificou a decisão como um erro.

Na política externa, Starmer também enfrentou atritos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou publicamente a demora do Reino Unido em autorizar o uso de bases militares britânicas por forças americanas em operações contra o Irã.

Segundo Trump, a hesitação foi "inédita entre nossos países". Após a pressão, o governo britânico autorizou o uso limitado de instalações estratégicas, entre elas a base de Diego Garcia, para ações classificadas como defensivas.

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No cenário interno, o governo enfrentou um revés relevante nas eleições locais e regionais de maio de 2026, vistas como um teste da popularidade do premiê. O resultado foi interpretado como sinal de desgaste do Partido Trabalhista no poder e ampliou a pressão por maior velocidade na entrega de resultados econômicos e sociais.

Ao longo do ano, Starmer negou ao menos cinco vezes qualquer intenção de renunciar, mesmo diante do avanço das críticas e das especulações sobre sua permanência no cargo. Ainda assim, reconheceu em diferentes ocasiões o descontentamento do eleitorado com o ritmo das mudanças.

Esse desgaste se refletiu também no avanço do Reform UK, legenda de direita radical liderada por Nigel Farage, que passou a crescer nas pesquisas e a capitalizar a insatisfação com o governo.

Eleito em 2024 com ampla maioria parlamentar após 14 anos de domínio conservador, Starmer chegou ao poder prometendo reduzir o custo de vida, melhorar os serviços públicos e adotar uma gestão mais pragmática.

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Ao longo dos primeiros anos de governo, no entanto, esses compromissos passaram a ser questionados diante da percepção de lentidão na implementação das medidas.

Desde o primeiro discurso como premiê, Starmer defendia um governo "não sobrecarregado pela doutrina", comprometido em reconstruir a infraestrutura de oportunidades do país e restaurar a confiança na política.

No entanto, ao longo do mandato, a distância entre as promessas iniciais e a percepção de entrega passou a alimentar críticas tanto da oposição quanto de setores internos do próprio Partido Trabalhista.

A pressão acumulada dentro da legenda acabou levando à renúncia de Starmer da liderança do Partido, pouco menos de dois anos após assumir o cargo de primeiro-ministro.

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Em pronunciamento em Downing Street, ele afirmou que a decisão ocorreu no interesse do país e abriu caminho para a escolha de um novo líder da sigla, que deverá assumir também o cargo de primeiro-ministro após a conclusão da disputa interna.

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