Pentágono se recusa a reafirmar defesa coletiva da OTAN e diz que depende de Trump

31 mar 2026 - 13h51

O secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, se recusou ‌nesta terça-feira a reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a defesa coletiva da Otan, dizendo que isso caberia ao presidente Donald Trump, depois que os principais aliados europeus se recusaram a apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irã.

Os comentários de Hegseth em uma reunião do Pentágono foram extraordinários, uma vez que a defesa coletiva está no centro da aliança da Otan, que foi formada em 1949 ⁠com o objetivo principal de combater o risco de um ataque soviético ao território aliado.

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Qualquer sinal dos Estados ‌Unidos de que talvez não estejam dispostos a defender os aliados da Otan em caso de ataque da Rússia ou de outro adversário poderia enfraquecer seriamente a aliança, mesmo que Trump opte por ‌não se retirar totalmente dela, algo que pode exigir o consentimento ‌do Congresso.

Perguntado pela Reuters em uma coletiva de imprensa se os Estados Unidos ainda estão comprometidos ⁠com a defesa coletiva da Otan, Hegseth disse: "No que diz respeito à Otan, essa é uma decisão que caberá ao presidente. Mas eu diria apenas que muita coisa foi revelada".

Em aparente referência às tensões com os aliados da Otan França, Itália, Espanha e Reino Unido, Hegseth disse que "quando pedimos assistência adicional ou simples acesso, base e sobrevoo, recebemos perguntas, bloqueios ou hesitações".

"Você não tem uma grande aliança se tiver ‌países que não estão dispostos a ficar ao seu lado quando você precisa deles. (Trump está) simplesmente apontando isso e, ‌no final das contas, será ⁠ele quem decidirá como isso ⁠será feito", disse Hegseth.

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Há muito tempo, os especialistas alertam que as falas que sugerem que os Estados Unidos podem ⁠não honrar seus compromissos com a Otan podem incentivar a ‌Rússia a testar a prontidão dos ‌membros da Otan para fazer cumprir o Artigo 5 da aliança, que estabelece que um ataque armado contra um Estado membro é um ataque a todos.

A guerra contra o Irã exacerbou as tensões entre os Estados Unidos e a Europa, que aumentaram desde o início do segundo mandato ⁠de Trump, no ano passado, em relação a tudo, desde a revisão de Trump de sua relação comercial de US$2 trilhões até suas exigências de posse da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, integrante da Otan.

A Europa também está observando com nervosismo os esforços de Trump para intermediar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com algumas autoridades ‌europeias de alto escalão preocupadas com o fato de Trump parecer apoiar um acordo em favor de Moscou.

A França se recusou a permitir que Israel usasse seu espaço aéreo para um voo de reabastecimento ⁠que transportava armas norte-americanas usadas na guerra contra o Irã, e a Itália negou permissão para que aeronaves militares dos EUA pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, antes de seguir para o Oriente Médio, disseram fontes à Reuters. A Espanha disse publicamente na segunda-feira que havia fechado seu espaço aéreo para aviões norte-americanos envolvidos em ataques ao Irã.

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Trump também criticou repetidamente o Reino Unido, o aliado europeu mais próximo dos Estados Unidos, por não ter se juntado aos Estados Unidos quando eles iniciaram a guerra. Nesta terça-feira, ele destacou o Reino Unido em uma publicação nas redes sociais, onde disse que a segurança do Estreito de Ormuz, agora bloqueado pelo Irã, seria deixada para os países que precisavam do petróleo do Oriente Médio.

"Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estavam lá para nós. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou. Vá buscar seu próprio petróleo!"

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