O Paquistão afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos e o Irã estão próximos de "algum tipo" de acordo, e o Catar, que também atua como mediador, disse que as negociações sobre a gestão do Estreito de Ormuz estão em estágio avançado, apesar dos relatos de novos ataques à navegação nas águas da região.
Os comentários trouxeram alguma esperança de que o Irã e os EUA possam pôr fim a um impasse que, na prática, bloqueou essa via navegável vital, pela qual circulava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra. As perspectivas de um acordo pareciam ter se esvaído na segunda-feira, após as últimas declarações e exigências das partes.
Em entrevista à Bloomberg News, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, disse que "as coisas estão se desenrolando novamente a favor de um acordo de paz ou de um acordo".
"Os sinais dos últimos dois ou três dias indicam que estamos próximos de algum tipo de acordo."
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se reuniu com o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, em Teerã nesta terça-feira, informou o canal do Telegram de Araqchi nesta terça-feira, sem fornecer mais detalhes.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar disse em uma entrevista coletiva na manhã desta terça-feira que as discussões separadas entre Omã e o Irã sobre a gestão do Estreito de Ormuz estão em estágio avançado.
O Escritório de Relações Públicas do Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Paquistão e o Catar têm sido os principais mediadores no conflito no qual milhares de pessoas foram mortas — principalmente no Irã e no Líbano — desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro. O Irã retaliou atacando alvos e infraestrutura dos EUA em países como Omã, Jordânia, Kuwait, Israel, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
PETRÓLEO REDUZ GANHOS COM ESPERANÇAS DE ACORDO
O petróleo recuou nesta terça-feira após atingir a maior cotação em uma semana no início do pregão, embora continue bem acima dos níveis anteriores à guerra.
O Irã afirmou no domingo que estava próximo de um acordo final com Omã para definir novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz, que se estende entre os dois países, mas ressaltou que isso, por si só, não abriria a via navegável, a menos que os EUA atendessem a certas condições.
Essas condições estavam amplamente alinhadas com um memorando de entendimento para pôr fim ao conflito, alcançado entre Washington e Teerã em junho, e incluíam indenização e o fim das sanções e ameaças militares.
Araqchi afirmou no domingo que Teerã e Washington não estavam mantendo negociações diretas, mas que mensagens estavam sendo trocadas por meio de intermediários.
O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu na noite de segunda-feira, apresentando novas exigências e afirmando que buscava suas próprias indenizações de Teerã, o que aparentemente deixou as duas partes em um impasse.
"Vamos pedir dinheiro pelos danos que eles causaram ao longo de um período de 50 anos", disse Trump na Casa Branca, afirmando que os pagamentos cobririam as mortes tanto entre manifestantes civis quanto entre as forças norte-americanas na região.
"Portanto, se há indenizações a serem pagas, acho que o Irã deve arcar com essas indenizações", disse Trump.
Apesar de sinais preliminares de progresso na diplomacia, houve relatos de novos ataques à navegação no Golfo de Omã e no Mar Vermelho, destacando a crescente ameaça ao comércio marítimo.
Quatro tripulantes foram mortos em um suposto ataque dos houthis do Iêmen — apoiados pelo Irã — a um pequeno navio de carga no estreito de Bab el-Mandeb nesta terça-feira, informou o Ministério dos Transportes do Iêmen.
As mortes a bordo do "Tihamah", de propriedade egípcia, se confirmadas, seriam as primeiras em um ataque houthi à navegação desde o início da guerra com o Irã. Os houthis não assumiram a autoria do ataque.
Um navio porta-contêineres também foi atingido por um míssil na costa do Paquistão, enquanto navegava pelo Golfo de Omã, em um suposto ataque dos EUA, segundo fontes.
O Wall Street Journal noticiou que uma autoridade norte-americana afirmou que o navio havia sido atingido por um helicóptero militar dos EUA depois que sua tripulação ignorou as advertências do pessoal encarregado de fazer cumprir um bloqueio naval aos portos iranianos.
Os EUA anunciaram pela primeira vez um bloqueio à navegação que tentasse chegar aos portos do Irã em abril e o reimpuseram em julho, após o colapso do acordo de paz de junho.
Os houthis declararam um embargo marítimo contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho em 20 de julho, em resposta ao que descreveram como um cerco saudita. Riad nega que o Iêmen esteja sob cerco.
Trump está sob pressão para encerrar uma guerra que, segundo pesquisas nos EUA, é profundamente impopular entre o eleitorado norte-americano, poucos meses antes das importantes eleições legislativas de meio de mandato, nas quais seu Partido Republicano corre o risco de sofrer perdas significativas, tendo os altos preços da gasolina como um dos principais pontos de tensão.