Barack Obama autoriza bombardeios no norte do Iraque

"Nós podemos agir, com cuidado e responsabilidade, para evitar um potencial ato de genocídio", disse Obama, em referência às minorias religiosas sitiadas no norte do Iraque pelo avanço das forças do Estado Islâmico

7 ago 2014 - 22h54
(atualizado em 8/8/2014 às 08h55)
<p>Obama definiu ação militar americana no Iraque</p>
Obama definiu ação militar americana no Iraque
Foto: Jim Bourg / Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira que autorizou ataques a posições do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), além de uma operação humanitária de assistência aos deslocados no norte do Iraque.

Muitas das pessoas que se escondem nas montanhas de Sinjar há cinco dias em um calor insuportável, sem água ou alimentos, são yazidis, uma minoria religiosa com 4.000 anos de antiguidade.

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Obama diz ainda que as Forças Armadas lançaram por via aérea pacotes de ajuda humanitária para minorias religiosas ameaçadas pelos extremistas.

“Hoje, a América está vindo para ajudar”, diz Obama em anúncio na Casa Branca. Os ataques representam o maior engajamento no Iraque desde que as tropas americanas deixaram o país em 2011, após quase uma década de guerra.

"Nós podemos agir, com cuidado e responsabilidade, para evitar um potencial ato de genocídio", disse Obama, em referência às minorias religiosas sitiadas no norte do Iraque pelo avanço das forças do Estado Islâmico.

"Eu, então, autorizei ataques aéreos seletivos para auxiliar as forças do Iraque a romper o cerco e proteger os civis encurralados". Obama acrescentou que aviões americanos já estão lançando alimentos e água para os iraquianos que fogem do avanço do Estado Islâmico.

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"Quando enfrentamos uma situação como nesta montanha, com pessoas inocentes encarando a expectativa de uma violência em escala terrível; quando temos a ordem de ajudar - e neste caso há um pedido do governo iraquiano - e quando temos a capacidade de ajudar para evitar um massacre, então acredito que os Estados Unidos não podem fazer vista grossa".

Relutante em enviar tropas norte-americanos para Oriente Médio novamente após custosas guerras no Iraque e Afeganistão, Obama disse ter aprovado um limitado uso do poderio aéreo para proteger pessoal dos EUA caso os militantes do Estado Islâmico continuem a se aproximar de Arbil.

Obama reafirmou que não enviará tropas americanas para o Iraque, dois anos e meio depois da retirada dos soldados dos EUA do país. "Como comandante em chefe não permitirei que os Estados Unidos se vejam envolvidos em outra guerra no Iraque", disse.

Família refugiada em Sinjar teme ataques de sunitas
Foto: SAFIN HAMED / AFP

"Mesmo quando apoiamos os iraquianos que lutam contra estes terroristas, as tropas de combate americanas não voltarão a lutar no Iraque, porque não há solução militar para a crise maior que afeta este país", concluiu Obama.

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Um funcionário da Defesa americano confirmou que teve início uma missão para salvar os que permaneciam sitiados nas montanhas lançando alimentos cruciais e água, mas um morador de Sinjar interrogado por telefone nesta sexta-feira disse que a ajuda ainda não chegou.

"Nada aterrissou nesta parte da montanha. Precisamos de todo tipo de ajuda, comida e água. Há muitas crianças aqui", declarou este homem que se refugiou com sua família em uma gruta.

Fotos da Reuters tiradas na quinta-feira mostraram uma bandeira negra dos insurgentes erguida sobre um posto de controle a apenas 45 quilômetros de Arbil, a menor distância a que chegaram da capital econômica da região, com 1,5 milhão de habitantes.

O anúncio de Obama foi feito após uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU convocada pela França, que também ofereceu apoiar as forças que combatem os jihadistas.

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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, aprovou nesta sexta-feira a decisão americana, mas descartou se somar à operação. "Não estamos planejando uma intervenção militar", afirmou um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro.

Ajuda da Igreja Católica aos cristãos iraquianos

O papa Francisco enviará ao Iraque o cardeal Fernando Filoni, antigo núncio neste país, para apoiar a população que foge devido ao avanço dos jihadistas, anunciou nesta sexta-feira o Vaticano.

O porta-voz do Pontífice indicou que "diante da grave situação, o Santo Padre nomeou o cardeal Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, como seu enviado com o objetivo de expressar sua proximidade espiritual com as populações que sofrem e fornecer a solidariedade da Igreja".

Com informações da EFE, AFP, Reuters e do Washington Post.

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Fonte: Terra
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