O número de mortos no terremoto de magnitude 7,4 na escala Richter que atingiu a Colômbia subiu para 254, segundo dados divulgados pelas autoridades locais nesta terça-feira (11).
O tremor, registrado na última segunda (10), provocou destruição em diversas áreas do oeste do país, incluindo a região cafeeira, o departamento de Chocó e cidades como Cali, Pereira e Manizales.
Equipes de emergência continuam trabalhando entre os escombros em busca de sobreviventes e vítimas. O abalo sísmico provocou o desabamento de edifícios e deixou centenas de pessoas feridas e desabrigadas. Casas, escolas, hospitais e outros edifícios foram danificados ou completamente destruídos.
De acordo com autoridades locais, 101 pessoas morreram em Pereira e outras 95 em Cali, terceira maior cidade da Colômbia.
Em Cali, parte de um hospital desabou, deixando pacientes presos entre os destroços. Cerca de 600 pessoas precisaram ser atendidas nas ruas após o terremoto.
Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que aproximadamente 5 mil casas foram danificadas e dezenas de prédios desabaram. A região também registrou mais de 100 réplicas desde o tremor principal, dificultando o trabalho das equipes de emergência.
A infraestrutura de várias áreas permanece comprometida. Seis aeroportos foram fechados, enquanto os serviços de eletricidade, abastecimento de água, comunicações e atendimento de saúde continuam interrompidos em diferentes localidades.
Em pronunciamento em Pereira, uma das cidades mais atingidas pelo fenômeno, o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, anunciou um programa de assistência à população afetada.
Segundo ele, os moradores diretamente atingidos terão direito a três meses de serviços públicos gratuitos.
O governo também avalia a criação de um programa de auxílio para pessoas que perderam suas casas, com possibilidade de subsídios para a realocação e oferta de abrigo temporário.
"Devemos fazer o que for necessário para ajudar as pessoas. Foi doloroso caminhar pelas ruas da sua cidade e ver tantas lojas fechadas e destruídas", afirmou o presidente durante a visita à região afetada.
Por fim, De la Espriella afirmou que, depois da fase emergencial, o governo deverá concentrar esforços na recuperação e no reparo das residências danificadas.
Em Cali, moradores relatam uma mistura de apreensão e mobilização para ajudar as vítimas. O italiano Giacomo, que está na cidade durante uma viagem pela América Central, contou à ANSA que seu prédio não sofreu danos graves, mas que muitas pessoas permanecem nas ruas comentando os efeitos do terremoto.
De acordo com ele, moradores estão levando doações aos pontos de coleta e comparecendo aos hospitais para doar sangue.
Um toque de recolher foi decretado em Cali entre as 20h e as 6h (horário local). Apesar das dificuldades provocadas pelos danos à infraestrutura e pelas possíveis interdições nas estradas, Giacomo afirmou que pretende continuar a viagem pelo país.
"Neste momento, estamos tentando seguir para Medellín, mas acho que as estradas estão bloqueadas. Depois disso, queremos ir para Santa Marta", afirmou o italiano de Perugia.
Em Pasto, no departamento de Nariño, o trabalhador humanitário italiano Manuel Castelletti, da organização Oikos ETS, relatou que o tremor foi longo e forte, mas não provocou grandes danos na região onde está.
Segundo Castelletti, as consequências foram mais graves em cidades como Cali, Manizales e Pereira. Buenaventura, onde a organização já desenvolveu atividades, também registrou mortes, feridos e danos em residências de parceiros locais.
A Oikos informou que mantém contato com sua equipe e com organizações parceiras na Colômbia para acompanhar a evolução da emergência. Um plano específico de resposta ao terremoto ainda não havia sido definido, diante da necessidade de aguardar novas informações sobre a extensão dos danos e as necessidades mais urgentes.