Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza e exige desarmamento do Hamas

Premiê de Israel classificou algumas propostas do documento como 'inaceitáveis'

9 ago 2026 - 12h07

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo (9) o plano de 15 pontos para Gaza apoiado pelos Estados Unidos e afirmou que as forças israelenses não deixarão a Faixa enquanto o Hamas não for efetivamente desarmado.

    A declaração, feita durante uma reunião de gabinete, representa o primeiro posicionamento público de Netanyahu sobre o documento apresentado pelo Conselho da Paz, órgão responsável pela implementação do plano defendido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

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    "Israel rejeita o documento de 15 pontos", afirmou Netanyahu, acrescentando que as Forças de Defesa israelenses (FDI) não realizarão qualquer retirada do enclave palestino até que o Hamas seja "genuinamente desarmado" e que as ameaças contra soldados e cidadãos israelenses sejam neutralizadas.

    O premiê israelense também descartou a possibilidade de criação de um Estado palestino enquanto estiver no cargo.

    "Enquanto eu for primeiro-ministro, não haverá Estado palestino ? nem em Gaza nem na Cisjordânia. Nem 'Fatahstão' nem 'Hamastão'", declarou, em referência ao Fatah, movimento político dominante na Autoridade Palestina, e ao Hamas.

    O posicionamento coloca Netanyahu em uma situação de maior distanciamento em relação a Trump, que vinha apresentando o plano como uma oportunidade para avançar na resolução do conflito em Gaza. No entanto, o primeiro-ministro israelense afirmou que o governo americano continua sendo um importante aliado e que Israel apresentou a Washington suas objeções ao roteiro.

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    "Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não", disse Netanyahu, indicando que o governo israelense pretende manter sua posição nas negociações.

    Por outro lado, o Hamas, que havia manifestado apoio ao plano no fim de julho, pediu que os Estados Unidos pressionem o governo israelense a cumprir o acordo.

    "Esperamos que os mediadores e o fiador americano pressionem Netanyahu e seu governo a respeitar o roteiro e a não obstruir o processo por razões políticas internas e eleitorais", afirmou Bassem Naim, integrante do escritório político do Hamas, em declaração à AFP.

    Em comunicado, o grupo reiterou seu compromisso com o plano e defendeu a continuidade do processo de negociação.

    Um dos principais pontos de divergência é justamente a sequência entre a retirada das forças israelenses e o desarmamento do Hamas. O roteiro prevê que o grupo palestino entregue suas armas a uma estrutura governamental palestina em formação, enquanto Israel iniciaria a retirada de suas tropas.

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    Após uma reunião com Netanyahu na semana passada, o Conselho da Paz esclareceu que a retirada israelense ocorreria somente depois do desarmamento completo do Hamas.

    A mudança, contudo, não foi suficiente para convencer o primeiro-ministro. "Estamos falando de desarmamento real, não de desarmamento fictício", afirmou ele.

    A rejeição ocorre em meio à crescente pressão dos aliados de direita de Netanyahu, que se opõem ao plano para Gaza. Pesquisas eleitorais também indicam resistência ao acordo entre setores da base política do primeiro-ministro.

    Israel deverá realizar eleições em 27 de outubro, as primeiras desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a atual guerra em Gaza.

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    Netanyahu, que ocupa o cargo de primeiro-ministro por mais tempo na história de Israel, aparece empatado ou em desvantagem em algumas pesquisas. Nesse cenário, a questão de Gaza se tornou um dos principais pontos de pressão sobre seu governo. .

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