Netanyahu diz que 'mais da metade' dos objetivos militares já foram alcançados em guerra de Israel e EUA contra o Irã

Trump diz estar negociando reabertura do estreito de Ormuz, mas Irã nega contato. Perto de Dubai, um navio com 2 milhões de barris de petróleo foi atacado.

31 mar 2026 - 06h17
Netanyahu disse que ofensiva contra o Irã "definitivamente ultrapassou a metade", mas esclareceu que se refere a missões, não a tempo
Netanyahu disse que ofensiva contra o Irã "definitivamente ultrapassou a metade", mas esclareceu que se refere a missões, não a tempo
Foto: Ronen Zvulun/Reuters/Arquivo / BBC News Brasil

Quando a guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã vai acabar?

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (30/3) que a ofensiva "definitivamente ultrapassou a metade", mas esclareceu posteriormente que se referia a missões, não a tempo.

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Netanyahu acrescentou que a guerra matou "milhares" de membros da Guarda Revolucionária do Irã e que Israel e os EUA estavam "perto de acabar com a indústria armamentista", destruindo fábricas inteiras e o próprio programa nuclear.

Segundo o Wall Street Journal, o presidente americano Donald Trump teria dito a seus assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado.

Questionada sobre o assunto, a Casa Branca remeteu a comentários feitos pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que o estreito de Ormuz "reabrirá de uma forma ou de outra".

Trump fez novas ameaças de "aniquilar" as usinas de energia, poços de petróleo e "possivelmente" as usinas de dessalinização de água do Irã caso um acordo não seja alcançado "em breve".

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"Grandes progressos foram feitos, mas, se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o estreito de Ormuz não for imediatamente 'aberto para negócios', concluiremos nossa adorável 'estadia' no Irã", o mandatário publicou na rede social Truth Social.

Mas um porta-voz do ministro das Relações Exteriores do Irã negou, mais uma vez, que tenha havido negociações com autoridades americanas. Esmaeil Baqaei afirmou que o Irã "não negociou com os EUA nesses 31 dias", referindo-se à duração da guerra.

"O que ocorreu foi o envio de um pedido de negociação, acompanhado de um conjunto de propostas dos Estados Unidos, que nos chegaram por meio de certos intermediários, incluindo o Paquistão", escreveu Baqaei em uma declaração online.

"Nossa posição é muito clara. Enquanto a agressão militar e a invasão americana continuam com toda a intensidade, todos os nossos esforços e recursos estão voltados para a defesa da essência do Irã. Não nos esquecemos da traição infligida à diplomacia em duas ocasiões em menos de um ano."

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Homem carrega caixas de uma casa danificada por ataques em Teerã, capital do Irã, na segunda-feira (30/3)
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Ataques e mortes continuam

As Forças de Defesa de Israel informaram na segunda-feira que quatro soldados foram mortos e dois ficaram feridos.

De acordo com o comunicado, divulgado no Telegram, o capitão Noam Madmoni, de 22 anos, o sargento Ben Cohen, de 21, e o sargento Maxsim Entis, de 22 anos, morreram em combate no sul do Líbano. Um quarto soldado foi morto no mesmo incidente, mas seu nome não foi divulgado.

Duas pessoas também foram levadas para o hospital: um soldado foi classificado como "gravemente ferido" e um reservista como "moderadamente ferido".

Já a terça-feira (31/3) começou com uma nova onda de ataques lançada por Israel contra a capital iraniana, Teerã, horas depois de os militares supostamente terem identificado mísseis do Irã em direção a Israel.

Ataques também foram registrados em Dubai, onde as autoridades afirmam que um navio com dois milhões de barris de petróleo que navega em direção à China foi incendiado após um ataque de drone iraniano pouco antes das 4h do horário local.

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Quatro pessoas ficaram feridas no incidente, que ocorreu perto de uma casa abandonada na área de Al Badia. O incêndio foi controlado após algumas horas e, embora tenha havido alguns danos ao navio, os 24 tripulantes estão seguros e ilesos, segundo as autoridades em Dubai.

A mídia iraniana noticiou o ataque, mas não reconheceram sua autoria. Ainda não há imagens ou vídeos do navio danificado. Vale lembrar que, de acordo com as leis de crimes cibernéticos dos Emirados Árabes, é proibido fotografar, compartilhar ou publicar imagens de locais atingidos por mísseis ou drones.

O navio Al-Salmi, construído em 2011, pertence e é operado pela estatal Kuwait Oil Tanker Company, que não comentou o caso até a publicação desta reportagem.

A empresa de inteligência marítima TankerTrackers.com afirma que o navio transporta cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo bruto saudita e 800 mil barris de petróleo bruto kuwaitiano. O carregamento teria sido concluído no mês passado.

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O navio Al-Salmi está transmitindo sua posição, indicada no mapa pelo ponto vermelho, no Golfo Pérsico, ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos
Foto: MarineTraffic / BBC News Brasil

Em uma publicação no X, o Ministério de Defesa dos Emirados Árabes afirmou que os sons ouvidos na manhã desta terça-feira em todo o país são de interceptações com mísseis balísticos e de cruzeiro, além de drones.

Assim que os ataques começaram, alertas foram enviados aos celulares de quem está na região, orientando os moradores e visitantes a procurarem abrigo e permanecerem em um local seguro. Os alertas, que também são enviados em outros países do Golfo, ocorrem com mais frequência à noite.

O exército do Kuwait também afirmou que está interceptando ataques de drones e mísseis sobre seu território. Já na Arábia Saudita, seis casas foram danificadas por destroços de um drone abatido. Não houve feridos, informou a autoridade de defesa civil do país em um comunicado.

Na cidade de Sharjah, nos Emirados Árabes, as autoridades informaram que um drone foi lançado por Israel tendo como alvo o edifício administrativo da Companhia de Telecomunicações Thuraya. Não houve feridos.

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Explosões também foram ouvidas em Teerã durante a madrugada, segundo a agência de notícias AFP. Isso teria levado à interrupção do fornecimento de energia em algumas partes da cidade, segundo a mídia local.

A agência de notícias Tasnim, associada à Guarda Revolucionária Islâmica, informou que a maior parte da energia já havia sido restabelecida na manhã desta terça-feira após a interrupção, que teria sido causada por estilhaços que atingiram uma subestação.

O estreito de Ormuz

Uma comissão parlamentar no Irã aprovou planos para impor pedágios ao tráfego no estreito de Ormuz, de acordo com a agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

A agência acrescenta que, segundo os planos, navios americanos, israelenses e de outros países que participaram das sanções contra o Irã seriam proibidos de transitar pelo estreito.

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A agência de notícias AFP informou que o novo sistema de pedágios foi anunciado na televisão estatal iraniana, que afirmou que o Irã o implementará em cooperação com Omã.

Cerca de 20% do petróleo bruto mundial passa por essa importante via marítima entre o Irã e Omã. Desde o início da guerra, as travessias caíram cerca de 95%, segundo a empresa de inteligência marítima Kpler.

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