Quase três anos após a implosão do submersível Titan, Christine Dawood, viúva de Shahzada Dawood e mãe de Suleman,ambos mortos na tragédia, revelou novos detalhes sobre o acidente. Ela afirmou que os restos mortais dos familiares só foram recuperados nove meses depois e entregues em duas pequenas caixas, “parecidas com caixas de sapatos”, segundo seu relato. Devido à implosão do submersível, os corpos dos tripulantes teriam sido completamente desintegrados, e os restos mortais, segundo ela, foram descritos como uma espécie de “lama”.
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“Só recebemos os corpos nove meses depois [...] Bem, quando digo corpos, quero dizer a lama que sobrou. Eles vieram em duas caixas pequenas, parecidas com caixas de sapatos”, disse em entrevista ao The Guardian.
“Não encontraram muita coisa”, continuou. Ela explicou ainda que o DNA dos restos mortais encontrados foi meticulosamente testado pela Guarda Costeira dos EUA. “Eles têm uma pilha enorme que não conseguem separar, tudo DNA misturado, e me perguntaram se eu queria um pouco disso também. Mas eu disse que não, só o que vocês sabem que é de Suleman e Shahzada”, recordou.
“Trabalhei muito no meu luto por Suleman, mas só agora estou começando a sentir o luto pelo meu marido. Publicamente, eles são sempre apresentados juntos, mas são dois relacionamentos diferentes. Duas dores muito diferentes“Aprendi a dar atenção ao luto.” “Depois de um tempo, consigo deixar a dor de lado até que ela fique insuportável novamente”, ressaltou.
Christine conta que vive altos e baixos em suas emoções diariamente. “Então, vou ao quarto de Suleman. Às vezes, encontro o gato dormindo em seu travesseiro, e me sento na cama e deixo o luto me envolver.”
Ela preserva as coisas que eram de seu filho e marido. Tanto o quarto de Suleman quanto o escritório do marido permaneceram intactos. Há também uma maquete do Titanic no centro da cozinha, da qual ela se recusa a se desfazer porque Suleman, que tinha 19 anos, teve a paciência para montar o conjunto de Lego de 9.090 peças.
Christine ainda tenta blindar a sua filha de 20 anos para que ela não seja conhecida como "a garota que perdeu o pai e o irmão no Titan ".
A mulher também compartilhou o conselho mais importante que recebeu de um membro da Guarda Costeira Canadense após a tragédia. “Uma mulher muito experiente, de cabelos loiros — esqueci o nome dela — me deu o melhor conselho que já recebi”, recordou. “'A retrospectiva não ajuda, então não caia nessa armadilha. Só porque você sabe disso agora... não significa que você não sabia antes.'”
O conselho da mulher foi especialmente impactante porque Christine inicialmente deveria ir à excursão ao Titan com o marido, mas depois permitiu que o filho fosse em seu lugar. “Sempre me lembro dela me dizendo isso”, refletiu. “Suleman queria ir, e eu fiquei feliz em ceder o lugar, por ele poder criar memórias com o pai. Não posso mudar isso”, finalizou.