O avanço de uma nova onda de calor na Itália elevará para 16 o número de cidades classificadas como "ponto vermelho", o nível máximo de alerta, que indica risco extremo para toda a população, até a próxima sexta-feira (17).
Os dados foram divulgados nesta quarta (15) pelo boletim de ondas de calor do Ministério da Saúde italiano, que monitora 27 municípios em todo o país por causa das altas temperaturas.
As principais cidades em alerta máximo são: Bolonha, Brescia, Bari, Campobasso, Florença, Frosinone, Gênova, Latina, Palermo, Perugia, Pescara, Rieti, Roma, Turim e Viterbo. Milão é a nova cidade incluída na lista.
Além dos alertas vermelhos, quatro cidades estarão sob "ponto laranja", classificação que representa risco principalmente para grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde: Ancona, Civitavecchia, Messina e Nápoles.
Outros sete municípios permanecerão em "ponto amarelo", estágio de pré-alerta para uma possível onda de calor. São eles: Bari, Bolzano, Catânia, Reggio Calabria, Trieste, Veneza e Verona.
Segundo o Ministério da Saúde, o número de cidades em alerta máximo deve atingir seu pico nesta semana, tendo em vista que hoje eram sete municípios em "ponto vermelho"; na quinta (16) serão 15, chegando a 16 na sexta (17), durante o auge da chamada "onda de calor africano".
Florença enfrenta alerta vermelho contínuo desde 9 de julho, enquanto Perugia está nessa condição desde 10 do mesmo mês. Para Milão, o novo alerta marcará o primeiro dia de nível máximo durante a terceira onda de calor registrada no país neste ano.
O impacto das mudanças climáticas preocupa especialmente Milão, que pode sofrer com o aumento das temperaturas médias tanto no verão quanto no inverno.
Um relatório de avaliação climática apresentado pela prefeitura aponta que a cidade poderá registrar aumento superior a 3º C até 2050 e de mais de 5º C até o final do século, em comparação com o período de referência entre 1985 e 2014.
O estudo, chamado "Perfil Climático Local", prevê uma transformação significativa no clima da cidade, com efeitos mais intensos durante o verão. As projeções indicam que, por volta de 2050, Milão poderá ter entre 80 e 90 noites tropicais por ano, quando a temperatura mínima permanecerá acima de 20°C.
Até o fim do século, esse número poderá ultrapassar 120 noites, incluindo dezenas de noites com temperaturas superiores a 25°C.
Como estratégia de adaptação, a prefeitura vem investindo em projetos de remoção de pavimentação e ampliação de áreas verdes, com o objetivo de reduzir o efeito de ilha de calor e melhorar a absorção da água da chuva em períodos de tempestades.
Diante das temperaturas extremas, a região do Lazio também reforçou as medidas de proteção aos trabalhadores, com um decreto que amplia as restrições para atividades realizadas sob exposição prolongada ao sol.
A norma determina a suspensão de trabalhos entre 12h30 e 16h (horário local) em setores como agricultura, floricultura, manutenção de áreas verdes, construção civil, obras viárias, corte de grama às margens de estradas, inspeções de pontes, atividades em pedreiras e operações logísticas em áreas urbanas.
A medida busca reduzir os riscos à saúde dos trabalhadores durante o período de maior intensidade do calor, em uma semana marcada pela expansão dos alertas de emergência em diversas regiões italianas.