O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta terça-feira (28) que a comunidade internacional não deve abandonar a busca por uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio.
Em entrevista ao programa Tg2 Post, ele afirmou que, apesar das dificuldades, é necessário manter a "ambição" de alcançar a paz por meio do diálogo.
Tajani destacou a importância do diálogo inter-religioso entre cristãos, judeus e muçulmanos como uma ferramenta para reduzir tensões e criar condições para negociações de paz.
"Se cristãos, judeus e muçulmanos conseguirem conversar entre si, talvez possamos desarmar algumas das 'minas' que complicam o trabalho de construção da paz", declarou o ministro.
O chanceler italiano também condenou a violência contra civis e afirmou que tanto a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia quanto ataques contra locais religiosos e atos antissemitas são inaceitáveis.
"É inaceitável que Israel - por meio de colonos - busque continuar ocupando territórios na Cisjordânia; da mesma forma, é inaceitável que mesquitas sejam incendiadas, vilarejos cristãos atacados e atos antissemitas cometidos em retaliação a eventos no Oriente Médio", afirmou.
As declarações foram feitas durante o primeiro dia de uma reunião de dois dias da Aliança Global para a Solução de Dois Estados, realizada na sede do Ministério das Relações Exteriores da Itália, a Farnesina, em Roma.
Durante a entrevista, Tajani também afirmou que a criação de um Estado palestino exige, antes de tudo, uma solução que permita a reunificação política dos territórios palestinos.
"Devemos garantir a reunificação da Palestina, pois, atualmente, a Cisjordânia é governada pela Autoridade Nacional Palestina ? uma força moderada que dialoga com todos, busca reconhecer Israel e mantém contato com todo o Ocidente", observou ele, acrescentando que ela também interage com outras partes do mundo.
Por outro lado, Tajani destacou a situação em Gaza, onde o Hamas mantém influência sobre o território. Para ele, o grupo ainda precisa ser desarmado para que seja possível avançar em direção a uma solução política.
"O Hamas ainda não foi desarmado, e precisamos garantir que seja desarmado e que ocorra uma reunificação ? levando à criação do Estado da Palestina ?, o que significa dois territórios que devem se unir e, então, transformar-se em um Estado genuíno", concluiu. .