Israel: a quatro dias das eleições legislativas, Netanyahu ordena cerco 'total' à Cisjordânia

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta sexta-feira (23) que o Exército se prepare para impor um "cerco total" à Cisjordânia ocupada, após um ataque a tiros que deixou cinco pessoas feridas, a quatro dias das eleições legislativas israelenses. Os dois homens apontados como autores do ataque foram mortos por soldados.

23 out 2026 - 10h22
Resumo
A quatro dias das eleições legislativas em Israel, Benjamin Netanyahu ordenou o cerco total à Cisjordânia e o fechamento de Hebron após um ataque a tiros que feriu cinco israelenses e resultou na morte de dois atiradores palestinos. O premiê suspendeu sua campanha e anunciou uma grande operação militar inédita desde 1967. O episódio intensificou a crise política, levando ministros de extrema direita a pedirem o desmantelamento da Autoridade Palestina e ações similares às de Gaza.

Benjamin Netanyahu foi a Hebron, no sul da Cisjordânia, horas depois do ataque e anunciou que Israel prepara uma grande operação militar no território palestino, além de ameaçar retirar moradores de um bairro da cidade. "As forças israelenses entrarão no bairro de onde vieram os terroristas, retirarão os moradores, irão de casa em casa e destruirão a infraestrutura terrorista", afirmou, segundo seu gabinete.

Forças israelenses fazem a segurança perto do local de um ataque a tiros em Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 23 de outubro de 2026.
Forças israelenses fazem a segurança perto do local de um ataque a tiros em Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 23 de outubro de 2026.
Foto: © REUTERS - Ammar Awad / RFI

O primeiro-ministro disse ainda que ele e o ministro da Defesa avaliam uma operação do Exército "como não é realizada desde a Guerra dos Seis Dias", em referência ao conflito de 1967. "O Exército está pronto para executá-la. Nós definiremos o momento, mas ela está a caminho", afirmou.

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Netanyahu também determinou o fechamento imediato de Hebron e ordenou que o Exército se prepare para impor um cerco a toda a Cisjordânia. Segundo ele, um "ataque de grandes proporções" havia sido evitado.

A reação de Netanyahu interrompeu sua campanha eleitoral. O primeiro-ministro pediu ao Likud, seu partido, que cancelasse todos os eventos previstos para esta sexta-feira.

Cinco israelenses feridos

O ataque ocorreu em um posto de controle militar em um cruzamento ao norte de Hebron. Segundo a AFP, dois homens vestidos de preto abriram fogo contra um grupo de militares. Um deles carregava um fuzil de assalto e o outro, uma pistola. Os dois foram mortos pelos soldados após um tiroteio que durou cerca de 20 minutos, segundo a imprensa israelense.

O serviço de emergência Magen David Adom informou que cinco israelenses ficaram feridos, dois deles em estado grave. Três foram levados para hospitais em Jerusalém. As autoridades israelenses disseram à AFP que todos os feridos têm cerca de 20 anos, mas não informaram se eram soldados.

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O Exército israelense anunciou "operações antiterroristas" nas casas dos dois suspeitos e de outras pessoas, além de buscas no local do ataque e em outras áreas da Cisjordânia. A região foi isolada.

O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões na Cisjordânia, inclusive por causa dos ataques de colonos israelenses extremistas contra palestinos durante a colheita de azeitonas.

"Desmantelar a Autoridade Palestina"

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, uma das principais figuras da extrema direita israelense, defendeu o "desmantelamento" da Autoridade Palestina.

"Não devemos esperar que um 7 de Outubro aconteça na Cisjordânia. É aqui que a próxima guerra vai eclodir", afirmou Ben Gvir, que também esteve no local. 

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O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também pediu uma campanha militar na Cisjordânia "como em Gaza", para acabar com a Autoridade Palestina, confiscar armas e "eliminar os terroristas". Posteriormente, ordenou a demolição de várias construções palestinas que classificou como "ilegais" nas proximidades do local do ataque.

O ataque não foi reivindicado imediatamente. O Hamas classificou o episódio como uma "operação heroica", mas não assumiu a autoria e convocou os palestinos da Cisjordânia à "mobilização total" e à realização de ataques semelhantes.

A Cisjordânia é ocupada por Israel desde 1967. Hebron é uma das áreas mais tensas do território e é dividida em setores sob controle palestino e israelense, com colonos israelenses vivendo sob proteção militar.

O ataque ocorre na reta final da campanha para as eleições legislativas israelenses de 27 de outubro. Netanyahu busca um novo mandato e enfrenta o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, seu principal adversário na disputa.

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com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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