Irã reafirma direito de controlar navegação no Estreito de Ormuz após navio ser atingido perto de Omã

26 jun 2026 - 10h35

Teerã reafirmou na ‌sexta-feira seu direito de controlar a navegação no Estreito de Ormuz e advertiu os Estados do Golfo a não se aliarem aos EUA, um dia após um ataque a um navio perto de Omã ter destacado a fragilidade de um acordo preliminar para pôr fim à guerra com o Irã.

O Irã estava respondendo ao que chamou de uma declaração conjunta "intervencionista, irresponsável e provocativa" dos Estados Unidos e de seis Estados do Golfo, ⁠que rejeitaram a insistência do Irã de que poderia cobrar pedágios das embarcações que transitam pelo estreito.

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"A passagem segura ‌pelo Estreito de Ormuz não pode ser garantida sob acordos ambíguos, rotas paralelas ou tomadas de decisão que não levem em conta o papel do Irã como Estado costeiro", afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores, ‌Kazem Gharibabadi, no X.

Enfatizando os riscos enfrentados pela navegação, a TV ‌estatal iraniana informou posteriormente que três petroleiros estrangeiros que tentavam o que chamou de "passagem não autorizada" ⁠pelo estreito foram mandados de volta após uma advertência da Guarda Revolucionária Islâmica. A emissora não forneceu mais detalhes.

Os preços do petróleo caíam mais de 3% na sexta-feira, caminhando para perda semanal acentuada, apesar das interpretações conflitantes sobre o acordo provisório da semana passada entre o Irã e os EUA e de uma desaceleração no tráfego pelo estreito, por onde normalmente passava um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito.

A ‌Saudi Aramco retomou na sexta-feira o carregamento de petróleo bruto em seu terminal de Ras Tanura, no Golfo — o ‌maior porto petrolífero do mundo —, após ⁠uma paralisação de quase quatro ⁠meses, segundo dados de transporte marítimo.

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio — encerrando uma viagem ao Golfo para tranquilizar ⁠aliados regionais apreensivos sobre o pacto provisório — disse a repórteres ‌na quinta-feira que, se o Irã ‌ameaçar ou bloquear navios no estreito, "teremos um problema".

Em sua declaração conjunta, Rubio e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pediram "navegação livre, incondicional e irrestrita" no estreito, sem pedágios ou "tentativas de impor controle", e afirmaram que uma paz duradoura deve abordar a questão dos mísseis balísticos do Irã, dos drones e ⁠do apoio a grupos na região.

IRÃ ALERTA CONTRA "POLÍTICAS HOSTIS E INTERVENCIONISTAS"

O Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu na sexta-feira, afirmando que a presença militar dos EUA no Golfo é a fonte da insegurança e da divisão na região, e que o estreito deveria ser administrado pelo Irã e por Omã, de acordo com os termos do acordo provisório.

"Alertamos contra a continuação de políticas ‌hostis e intervencionistas na região", disse.

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Teerã assumiu o controle efetivo da via navegável depois que ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, desencadearam a guerra, interrompendo o fluxo de petróleo ⁠e abalando os mercados globais de energia e a economia em geral.

Ali Akbar Velayati, principal assessor do líder supremo do Irã, dirigiu uma advertência aos aliados de Washington no Golfo.

"A estabilidade dos Estados árabes do Golfo Pérsico deve-se à gestão do Estreito de Ormuz pelo Irã ao longo de um século... sua sobrevivência estratégica está à mercê da tolerância de Teerã", disse Velayati no X.

A Evergreen Marine de Taiwan informou na manhã desta sexta-feira que seu navio Ever Lovely, com bandeira de Cingapura, havia sido atingido perto de Omã na quinta-feira por um "objeto desconhecido" enquanto seguia uma rota recomendada pela agência naval britânica UKMTO.

Ninguém ficou ferido no incidente e o navio retomou posteriormente sua viagem para fora do estreito.

Duas autoridades norte-americanas disseram à Reuters que o Irã havia disparado contra o navio. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã — criada por Teerã para gerenciar os pedidos de passagem de navios pelo estreito — afirmou que a passagem por rotas não autorizadas seria "de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação".

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