Irã descreve proposta para encerrar guerra como 'legítima e generosa'

Declaração ocorre após Trump voltar a ameaçar país ao apresentar suas condições

11 mai 2026 - 07h53
(atualizado às 08h30)

O governo iraniano afirmou nesta segunda-feira (11) que sua resposta à proposta apresentada pelos Estados Unidos para encerrar o atual conflito é "generosa e racional" e pode trazer benefícios tanto para o Oriente Médio quanto para a comunidade internacional.

Governo iraniano foi ameaçado por Trump
Governo iraniano foi ameaçado por Trump
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, Teerã não busca privilégios especiais, mas exige "o respeito aos direitos legítimos do Irã".

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Entre as principais demandas iranianas estão o fim da guerra na região, a suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, o desbloqueio de ativos iranianos congelados no exterior e garantias para a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

"Essas demandas são excessivas para o Irã?", questionou Baghaei, de acordo com informações divulgadas pela agência estatal IRNA.

Em outra declaração, o porta-voz acusou Washington de continuar apresentando "exigências descabidas" e afirmou que Teerã reagirá conforme as ações americanas. "O Irã lutará sempre que for forçado a isso, ou recorrerá à diplomacia se houver espaço para tal", disse.

Baghaei também alertou os países europeus contra qualquer intervenção militar no Golfo Pérsico, após relatos sobre um possível envio de navios de guerra europeus para garantir a navegação no Estreito de Ormuz. Segundo ele, uma ação desse tipo poderia agravar a crise regional.

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"Os europeus não devem sucumbir à arrogância dos Estados Unidos e de Israel, nem se deixar enganar por eles. Devem evitar qualquer movimento que comprometa seus interesses, pois qualquer intervenção no Estreito de Ormuz ou no Golfo Pérsico levaria a mais complicações e ao aumento dos preços da energia", concluiu.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também sinalizou abertura para negociações, apesar da histórica desconfiança em relação aos Estados Unidos.

Durante encontro com comandantes e altos funcionários das Forças de Segurança iranianas, ele declarou que "as negociações são possíveis", desde que ocorram "com dignidade, sabedoria e conveniência".

Pezeshkian afirmou ainda que, caso um acordo considerado justo seja alcançado e esteja alinhado às orientações do Líder Supremo e aos interesses da população iraniana, o país cumprirá seus compromissos.

O presidente destacou que o Irã enfrenta três possíveis cenários: a retomada das negociações diplomáticas em condições favoráveis ao país, a manutenção de um estado intermediário "nem de guerra nem de paz" ou a continuidade do confronto militar.

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Segundo ele, a opção mais racional é transformar os avanços militares obtidos pelo país em ganhos diplomáticos e políticos.

"A preferência racional e lógica, baseada no interesse nacional, é que a vitória alcançada pelas Forças Armadas no campo de batalha seja consolidada na esfera diplomática, com a afirmação dos direitos do povo iraniano em uma posição de dignidade e autoridade", afirmou.

No último domingo (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã e declarou que a República Islâmica "não voltará a rir" novamente.

A declaração ocorreu em meio ao impasse nas negociações de paz entre Washington e Teerã, após a mídia estatal iraniana informar que o governo enviou ao Paquistão uma resposta à mais recente proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio.

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