Inquérito da ONU afirma que Israel continuou genocídio em Gaza após trégua

26 out 2026 - 18h50
Resumo
Um relatório da ONU acusou Israel de manter atos genocidas em Gaza mesmo após a trégua mediada pelos EUA, citando o uso de armas pesadas contra civis e a expansão territorial na região, além de alertar para o aumento de mortes e deslocamentos na Cisjordânia. O inquérito também criticou a Autoridade Palestina por perseguição interna. Em resposta, o governo israelense rejeitou as conclusões, classificando o documento como uma campanha de desinformação destinada a deslegitimar a existência do país.

Israel continuou cometendo genocídio em Gaza após o cessar-fogo ‌mediado pelos Estados Unidos, em outubro passado, afirmou uma comissão da ONU em um relatório publicado nesta segunda-feira, considerado por Israel como parte de uma "campanha de desinformação".

O relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel examinou as violações contra crianças palestinas do início ⁠da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023, até ‌setembro deste ano.

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O relatório afirma que as autoridades israelenses continuaram cometendo "atos genocidas com a intenção genocida de destruir, no todo ou em parte, os palestinos em ‌Gaza", e que a situação também continuou se deteriorando na ‌Cisjordânia ocupada.

Outro relatório da comissão, divulgado em setembro do ano passado, concluiu ⁠que Israel havia cometido genocídio em Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos -- acusações que Israel considerou escandalosas.

A missão israelense em Genebra afirmou que o último relatório faz parte de uma campanha de desinformação para demonizar o Estado de Israel.

"A tentativa de destruir o Estado ‌judeu... continua até hoje por meio de esforços de atores como a Comissão de ‌Inquérito da ONU para minar ⁠a legitimidade de Israel ⁠e negar seu direito fundamental de existir e se defender", afirmou o embaixador Daniel Meron ⁠em comunicado.

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MUNIÇÃO PESADA 

A comissão constatou que as ‌forças israelenses continuaram usando munições pesadas, ‌drones, quadricópteros, artilharia e tiros de atiradores em áreas densamente povoadas durante o cessar-fogo em Gaza.

Segundo a comissão, a "Linha Amarela" -- apresentada como uma demarcação temporária do cessar-fogo -- está se estendendo cada vez mais para dentro de Gaza, tornando-se ⁠uma fronteira de fato, o que, segundo o relatório, reflete a expansão do controle territorial de Israel sobre Gaza. 

Autoridades palestinas afirmam que mais de 74.000 pessoas foram mortas no ataque de Israel a Gaza, iniciado após combatentes liderados pelo Hamas matarem cerca de 1.200 pessoas no ‌sul de Israel em 7 de outubro de 2023.

Em seu relatório ao Conselho de Segurança da ONU, a comissão afirmou que a situação na Cisjordânia também se ⁠deteriorou drasticamente, com o número de palestinos mortos em ataques aéreos aumentando de seis entre 2008 e 6 de outubro de 2023 para 254 entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026.

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O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que o assassinato intencional de civis palestinos e a destruição de residências na Cisjordânia fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar os palestinos.

Operações militares desde janeiro de 2025 levaram ao maior deslocamento de palestinos na Cisjordânia desde 1967, com 34.176 palestinos ainda deslocados em agosto de 2026, segundo o relatório.

A comissão também criticou a Autoridade Palestina, afirmando que ela havia perseguido palestinos que expressavam opiniões divergentes e que jornalistas e defensores dos direitos humanos haviam sido mortos e feridos.

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