Índia diz que paz na fronteira é fundamental para relações com China em meio a relatos de tensões militares

12 ago 2026 - 09h33

O Ministério das Relações Exteriores da Índia ‌afirmou que a paz ao longo de sua fronteira disputada com a China é fundamental para as relações entre os vizinhos asiáticos, em meio a relatos de novas tensões militares entre as tropas dos dois países em um recanto remoto do Himalaia.

O comentário de Nova Délhi é o segundo em menos de uma semana e surge no momento ⁠em que os gigantes asiáticos, que compartilham uma fronteira longa e disputada, estão restabelecendo ‌relações após confrontos mortais em 2020. Ele também ocorre antes da cúpula do Brics em Nova Délhi, de 12 a 13 de setembro, da qual se espera a ‌participação do presidente da China, Xi Jinping.

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"Em questões relacionadas ‌às áreas de fronteira entre a Índia e a China, sempre enfatizamos nas ⁠discussões com a parte chinesa que consideramos essas questões da maior gravidade", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Randhir Jaiswal, nesta terça-feira, em uma coletiva de imprensa de rotina.

"Também afirmamos que a situação das questões fronteiriças se refletirá no estado de nossas relações bilaterais mais amplas", acrescentou ele, respondendo a uma pergunta sobre ‌as novas tensões militares entre os dois lados.

Os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa ‌da China não responderam aos ⁠pedidos de comentário da ⁠Reuters.

O site de notícias indiano ThePrint informou, após a coletiva do Ministério das Relações Exteriores, que ⁠patrulhas dos Exércitos indiano e chinês se depararam ‌no final de julho perto ‌de Taksing, uma remota vila fronteiriça no distrito de Upper Subansiri, em Arunachal Pradesh, na fronteira com o Tibete.

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A China reivindica Arunachal Pradesh, que chama de Zangnan, como parte do sul do Tibete. A Índia afirma que o Estado é ⁠parte integrante e inalienável de seu território.

O incidente teria ocorrido a 2,5km dentro do território controlado pela Índia no Himalaia oriental, e os chineses se retiraram posteriormente. No entanto, no início de agosto, os chineses retornaram à área e montaram algumas barracas, segundo a reportagem.

Separadamente, uma carta de 26 de ‌julho enviada por um órgão de bem-estar dos moradores da região às autoridades locais, vista pela Reuters, afirmava que militares chineses estavam expandindo rapidamente sua presença ao "ocupar novos ⁠e importantes locais de nossas terras situados na área de fronteira".

Um porta-voz da Defesa indiana desmentiu as notícias.

"Essas (notícias) são infundadas e não comprovadas, sem qualquer verificação que sustente essas alegações", disse o porta-voz da Defesa responsável por Arunachal Pradesh.

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Não é incomum que patrulhas militares dos dois países se confrontem ao longo da fronteira disputada de 3.488km, mas também não é algo que ocorra com frequência.

Confrontos entre os dois lados no Himalaia ocidental, em 2020, resultaram na morte de 20 soldados indianos e quatro soldados chineses, prejudicando gravemente as relações entre Nova Délhi e Pequim.

Ambos os lados concentraram dezenas de milhares de soldados e equipamentos na fronteira até que Xi e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, mantiveram conversações em 2024 e concordaram em pôr fim ao impasse e reduzir as tensões.

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