Em sua primeira aparição pública conjunta desde o retorno ao Reino Unido, o príncipe Harry e Meghan Markle visitaram projetos sociais em Nottingham para reconstruir sua imagem. Apesar do tom caloroso do evento, o rei Charles III reforçou que eles atuam apenas como cidadãos particulares, sem funções reais ou tratamentos oficiais. O regresso reacende disputas sobre segurança policial paga pelo Estado, embora Harry busque uma reconciliação familiar em meio ao tratamento de câncer de seu pai.
O príncipe Harry e sua mulher, Meghan Markle, apareceram juntos na quinta-feira, 15, diante de crianças que os saudaram com entusiasmo. Esta é a primeira aparição pública conjunta do casal desde que retornaram à Inglaterra, em um momento em que buscam reconstruir sua imagem na Grã-Bretanha, após terem se afastado das funções reais há seis anos.
O casal chegou ao Community Recording Studio, na cidade de Nottingham, no centro da Inglaterra — um espaço que utiliza música, artes cênicas e programas esportivos para ajudar jovens a ganhar autoconfiança e desenvolver habilidades práticas.
A multidão celebrou a chegada do casal, que desceu do carro; uma mulher chegou a gritar: "Nós amamos você, duquesa Meghan! Nós amamos você!".
Harry e Meghan — ela vestindo um longo casaco bordô — pararam para tirar selfies, dar abraços e cumprimentar fãs, muitos deles crianças pequenas. Eles passaram alguns minutos conversando com o público presente e com as crianças.
A visita foi a primeira de três compromissos que o casal cumprirá em Nottingham — cidade onde, aliás, fizeram sua primeira aparição conjunta após anunciarem o noivado, em 2017.
Os eventos do dia apresentam toques do estilo da realeza: o anúncio oficial menciona os títulos de Harry e Meghan como Duque e Duquesa de Sussex, e um grupo de imprensa designado acompanha cada passo deles. A Archewell, iniciativa filantrópica que costumava ser o foco principal durante o período em que viveram nos Estados Unidos, quase não foi mencionada.
No entanto, o rei Charles III, pai de Harry, deixou claro que o casal continua sem exercer funções oficiais na família real — um status que aceitaram ao abandonar os deveres reais e se mudar para a Califórnia.
Em uma carta enviada em nome do rei a autoridades governamentais de alto escalão, logo após o retorno de Harry e Meghan ao Reino Unido em setembro, o Palácio enfatizou que o casal continuaria a não utilizar os tratamentos reais — "Sua Alteza Real" — e que quaisquer atividades de caridade que realizassem seriam conduzidas na qualidade de cidadãos particulares.
A decisão de enviar a carta e, mais importante, de divulgá-la à mídia, demonstrou a preocupação de alguns funcionários do palácio de que a notoriedade de Harry e Meghan pudesse permitir que eles se tornassem uma espécie de corte real paralela, competindo com o Príncipe e a Princesa de Gales — bem como com outros membros da família real que desempenham funções oficiais — por cobertura da imprensa e apoio público.
Após a visita ao Community Recording Studio, o casal seguirá para a Himmah — o maior banco de alimentos da região central da Inglaterra — e para a Epic Partners, organização que oferece programas de esportes, educação e mentoria para jovens em situação de vulnerabilidade.
Harry mantém um envolvimento com o Community Recording Studio e a Epic Partners há mais de uma década, enquanto Meghan trabalhou com a Himmah no projeto "Together: Our Community Cookbook" ("Juntos: Nosso Livro de Receitas Comunitário"), publicado em 2018.
Embora o casal tenha continuado a apoiar instituições de caridade no Reino Unido após deixar a Grã-Bretanha, o foco deles estava voltado para outros lugares.
Harry e Meghan abdicaram de suas funções reais e mudaram-se para a Califórnia há mais de seis anos, afirmando que desejavam conquistar sua própria independência financeira. Posteriormente, firmaram contratos lucrativos com a Netflix e o Spotify.
As relações com o restante da família real deterioraram-se rapidamente, uma vez que o casal alegou que a equipe do palácio foi insensível em relação à saúde mental de Meghan, além de acusar outros membros da família de racismo e manipulação da mídia.
Harry deseja que filhos conheçam o avô
Contudo, as tensões começaram a diminuir nos últimos meses, à medida que Harry expressou o desejo de reconciliação com o rei, afirmando que gostaria que seus filhos tivessem a oportunidade de conhecer o avô, de 77 anos. Charles está em tratamento contra um tipo de câncer não revelado, diagnosticado em 2024.
O casal e seus filhos — o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5 — residem em uma propriedade privada, sem vínculo com a realeza, em Cotswolds, uma região rural caracterizada por colinas suaves, vilarejos e fazendas, a oeste de Oxford.
Embora o casal tenha manifestado satisfação com o retorno ao Reino Unido, a mudança não ocorreu sem controvérsias.
Harry continua a pleitear a concessão de proteção policial financiada com recursos públicos — um benefício que foi cancelado quando ele e Meghan abdicaram de suas funções reais. O príncipe afirma que ele e sua família continuam sob ameaça, simplesmente por causa de seu status real. Poucos dias após o início do novo ano letivo, as crianças mudaram de escola devido a questões de segurança.