Ganhadora do Nobel da Paz em 2026 reitera acusação contra Israel por genocídio

País judeu criticou premiação de Navi Pillay: 'Goebbels aplaudiria'

9 out 2026 - 08h50
(atualizado às 09h24)
Resumo
A jurista Navi Pillay, Nobel da Paz de 2026, reiterou a acusação de que Israel comete genocídio na Faixa de Gaza, reafirmando conclusões de relatório da ONU que presidiu. Ela declarou que apenas disse a verdade factual sobre o conflito. Em forte reação, o Ministério das Relações Exteriores de Israel repudiou a premiação, afirmando que a homenagem legitima preconceitos e acusando Pillay de difamação motivada politicamente para demonizar o país.

A jurista sul-africana Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz de 2026, reiterou nesta sexta-feira (9) a acusação de que Israel comete um "genocídio" na guerra na Faixa de Gaza.

Navi Pillay tem passagens pelos principais tribunais internacionais do mundo
Navi Pillay tem passagens pelos principais tribunais internacionais do mundo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A magistrada presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que apresentou um relatório em setembro de 2025. O documento acusa o governo do premiê Benjamin Netanyahu de praticar "atos genocidas" para "destruir os palestinos" do enclave "como um grupo".

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"A última coisa que fiz foi o relatório sobre Gaza, no qual defino o que está acontecendo lá como um genocídio. Uma das principais reações a esse relatório foi me homenagear por minha coragem. E vocês podem imaginar como fiquei surpresa. Por que seria preciso coragem para dizer a verdade?", afirmou Pillay em um discurso em Nuremberg, na Alemanha.

A fala foi registrada em vídeo pela secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, que publicou o trecho na rede social X.

A jurista contou que, ao receber a notícia do Nobel, sua primeira reação foi pensar que era uma brincadeira. "Neste contexto, seus aplausos significam realmente muito. Sabe, não se quer receber um prêmio se o público não concorda que você o merece. Então agradeço seus aplausos de hoje. Mas, sendo advogada e juíza, desejo de qualquer forma verificar suas afirmações...", brincou.

Pillay preside atualmente o colegiado da Corte Internacional de Justiça (CIJ) que apura denúncias de genocídio contra a minoria rohingya em Mianmar. "Completei 85 anos no mês passado. Não posso parar meu trabalho", salientou.

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Reação israelense

Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que premiar Navi Pillay não é um "ato de justiça", mas sim uma "grotesca instrumentalização de um reconhecimento para legitimar o ódio e os preconceitos" contra o país.

"Agora que o Comitê do Nobel premiou a maior mentira do século 21, Joseph Goebbels está certamente aplaudindo do inferno", disse a pasta, em referência ao antigo responsável pela propaganda do regime nazista.

"Se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e acusações difamatórias, Pillay seria a favorita absoluta. Sua atuação na demonização implacável de Israel, com motivações políticas, e na promoção de acusações de genocídio é extremamente reveladora", acrescentou o ministério.

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