Finlândia suspenderá proibição total de hospedar armas nucleares, diz governo

5 mar 2026 - 14h35

A Finlândia planeja suspender uma proibição ‌de longa data de ter armas nucleares em seu território, disse o governo nesta quinta-feira, alinhando-se com os vizinhos nórdicos em um movimento que poderia abrir a porta para a implantação de bombas atômicas em solo finlandês em tempos de guerra.

A Lei de ⁠Energia Nuclear da Finlândia, aprovada em 1987, proíbe a importação, ‌a fabricação, a posse e a detonação de explosivos nucleares em seu território, o que é visto por alguns finlandeses ‌como uma cláusula que beneficiaria apenas a ‌Rússia em caso de guerra.

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Embora a Finlândia tenha mantido ⁠a neutralidade durante a era da Guerra Fria, o país aderiu à aliança militar Otan em 2023 em resposta à invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, país que possui armas nucleares, no ano anterior.

"A emenda é necessária para permitir a ‌defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para aproveitar ‌ao máximo a dissuasão ⁠e a defesa ⁠coletiva da Otan", disse o ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, em ⁠uma coletiva de imprensa.

A proposta ‌de mudança será encaminhada ‌ao Parlamento, onde o governo de coalizão de direita detém a maioria.

Os vizinhos Suécia, Dinamarca e Noruega têm políticas de longa data contra armas nucleares em seus territórios em ⁠tempos de paz, mas não têm proibições legislativas durante a guerra.

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França e Alemanha, aliados da Otan, anunciaram planos na segunda-feira para aprofundar a cooperação com os parceiros europeus em dissuasão nuclear, marcando uma mudança de política, ‌já que o continente enfrenta ameaças crescentes da Rússia e instabilidade ligada ao conflito com o Irã.

A doutrina da Suécia é ⁠não estacionar tropas estrangeiras permanentes ou armas nucleares em seu solo em tempos de paz, disse o primeiro-ministro Ulf Kristersson a repórteres na semana passada, quando perguntado sobre a possibilidade de seu país receber armas nucleares francesas.

"Se nos encontrarmos em uma situação completamente diferente, essa formulação específica não se aplicaria", disse Kristersson.

A Finlândia compartilha uma fronteira de 1.340 quilômetros com a Rússia e, em 2024, assinou um pacto de defesa com os Estados Unidos, permitindo que o país use 15 das instalações e zonas militares da Finlândia.

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