A comentarista russa "só pretende voltar à França quando a ordem de expulsão" contra ela "for suspensa ou anulada", informou seu advogado, Emmanuel Piwnic, em comunicado. Segundo ele, a comentarista já estava fora da França quando foi informada das medidas judiciais. De acordo com ele, a comentarista "pretende contestar essa decisão".
De acordo com um comunicado do tribunal divulgado nesta segunda, Xenia Fedorova, submetida desde quarta-feira (29) a uma medida de permanência obrigatória em domicílio, não demonstrou "nenhuma necessidade de sair da região de Paris", não solicitou "qualquer autorização ao chefe de polícia" e limitou-se a afirmar, "sem qualquer detalhamento", que a obrigação de comparecimento periódico às autoridades "lhe causava transtornos", informou o tribunal em comunicado.
Acusada de atuar como "um canal das campanhas de desinformação conduzidas pelas autoridades russas" para "desestabilizar a ordem pública" na França, a jornalista de 45 anos participa principalmente de programas da emissora CNews, da rádio Europe 1 e do semanário JDNews. A comentarista foi alvo na semana passada de decretos que determinam sua expulsão e o congelamento de seus bens.
A presença crescente de Xenia Fedorova nos veículos de comunicação do bilionário conservador francês Vincent Bolloré alimentou temores de manipulação do debate público, especialmente durante a campanha para a eleição presidencial francesa de 2027.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, citou "numerosas declarações feitas por ela que reproduzem sistematicamente a propaganda do Kremlin sobre o envolvimento da França, sobre o que acontece na Ucrânia e sobre as razões e motivações da agressão russa à Ucrânia" para justificar a ordem de expulsão.
"Agente de influência"
O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que Fedorova atua em favor dos interesses do Kremlin. "O que está em questão é que Xenia Fedorova é uma cidadã russa que veio para a França para atuar em favor dos interesses russos, difundindo a propaganda de Moscou por meio dos métodos do Kremlin e, assim, interferindo em nosso debate público e democrático", disse o ministro durante uma entrevista ao jornal La Provence.
O congelamento de seus bens tem como objetivo impedir a prática de "novos atos de interferência", explicou o Ministério da Economia e das Finanças.
"Meu comportamento consiste em viver na França há quase dez anos, respeitando a lei, pagando meus impostos, mas também tendo uma opinião e expressando-a no exercício do meu trabalho como jornalista", defendeu-se Fedorova na rede social X.
Os grupos Canal+ e Lagardère denunciaram o que consideram "um atentado particularmente grave à liberdade de expressão". Xenia Fedorova já foi proibida de permanecer na Alemanha, país onde ela vivia antes.
Com agências