O eclipse será total na Espanha e na Islândia, mas parcial na França. Ainda assim, dependendo da região, entre 90% e 99% do disco solar será encoberto pela Lua. Esse nível de obscuridade excepcional que não voltará a ocorrer no país por várias décadas, o que suscita forte emoção.
A taxa de obscuridade não será a mesma em todo o território francês. Em cidades no extremo sudoeste, na divisa com a Espanha, o eclipse será quase total, restando apenas 4% de luminosidade em seu auge. Já em Paris especialistas preveem que a obscuridade máxima será de 92%.
Entre o momento em que a Lua começar a encobrir o Sol (por volta das 19h em Paris, 14h em Brasília) e aquele em que ela se afastar completamente, o fenômeno durará cerca de 1 hora e 45 minutos na França, com pequenas variações, dependendo da sua localização. O fenômeno é aguardado com ansiedade no país: esse será um dos espetáculos astronômicos mais marcantes desde o eclipse quase total de 1999.
Fenômeno raro
O fenômeno ocorre quando três astros se alinham: a Lua se posiciona entre o Sol e a Terra, ficando quase exatamente diante do disco solar. O fenômeno é raro e deverá ser seguido por boa parte dos franceses na quarta-feira.
"Não dá para se acostumar com esse tipo de fenômeno", avalia Philippe Stée, presidente do Observatório de Paris PSL. Segundo ele, além da variação de luminosidade, será possível observar uma leve queda de temperatura e, como consequência, o surgimento de uma brisa.
Além da coroa solar ao redor da silhueta da Lua, Júpiter, Vênus e Mercúrio também ficarão visíveis. O presidente da Associação Francesa de Astrofísica, Olivier Las Vergnas, lembra que "o eclipse acontecerá ao pôr do sol". Segundo ele, isso dará um caráter "extraordinariamente crepuscular" ao fenômeno.
Proteção da retina
Nos últimos dias as autoridades francesas vêm insistindo em um ponto essencial durante a observação do eclipse: a necessidade de usar óculos que atendam à norma ISO 12312‑2:2015. O equipamento é o único capaz de proteger a retina contra os raios ultravioleta, para evitar problemas visuais que podem surgir posteriormente.
"Não é o eclipse que é perigoso, e sim olhar diretamente para o sol sem proteção. A pessoa pode literalmente queimar um ponto da retina sem perceber - e isso é irreversível", destaca o diretor-geral da Associação Francesa de Astronomia, Alain Cirou.
Com a proximidade da data, encontrar os óculos especiais tornou‑se quase missão impossível: muitos estabelecimentos já anunciaram que seus estoques acabaram. Para evitar frustrações, óticas, farmácias e até supermercados passaram a exibir nas portas avisos informando: "não temos mais óculos para o eclipse".
RFI com agências