Abandono de navios com imigrantes é nova tática de tráfico

Em uma semana apenas, dois navios foram resgatados no Mar Mediterrâneo sem tripulação e com centenas de imigrantes ilegais

2 jan 2015 - 13h25
Primeiro navio abandonado nesta semana foi resgatado em segurança
Primeiro navio abandonado nesta semana foi resgatado em segurança
Foto: BBC Brasil / Reuters

Pela segunda vez nesta semana, um barco com imigrantes ilegais foi deixado à deriva no Mar Mediterrâneo, sem nenhuma tripulação, a caminho da costa da Itália. Essa tática pode se tornar mais frequente na região devido ao fim de uma operação de patrulhamento que vinha sendo feita por autoridades italianas.

Segundo a guarda costeira da Itália, o navio mercante Ezadeen ficou à deriva com pelo menos 400 imigrantes a bordo, sem energia elétrica, em um mar agitado próximo ao sudeste do país. Na manhã desta sexta-feira, as autoridades disseram que conseguiram controlar o navio e que ele está sendo levado para o porto de Crotone.

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No início da semana, quase 1.000 imigrantes foram resgatados de um outro navio encontrado abandonado sem tripulação no início da semana.

Por que barcos com migrantes ilegais estão sendo abandonados a sua própria sorte?

O correspondente da BBC Jonathan Josephs explica que esta nova tendência está relacionada ao fim da Mare Nostrum, uma operação de resgate e ajuda de migrantes que era conduzida pela Itália ao custo de 9 milhões de euros por mês.

Com isso, desde novembro, quem assumiu a tarefa foi a agência de fronteiras da União Europeia, Frontex. Mas a operação Triton ocorre em uma área restrita e com recursos limitados.

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O deputado do Parlamento Europeu Claude Moraes, que preside o comitê de Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos da Casa, diz que a "Triton não assusta ninguém".

Ele diz acreditar que, como não há o peso um sistema de Justiça soberano por trás da operação, os traficantes de pessoas estão com menos medo de atuar nas rotas de contrabando.

Imigrantes resgatados foram levados a ginásio; 35 precisaram de atendimento médico

Um dos navios que está tentando socorrer o Ezadeen já fez a mesma operação outras três vezes desde o início de dezembro.

Uma fonte qua atua em operações de resgate disse acreditar que abandonar navios é a nova tendência entre os traficantes.

Eles cobram milhares de dólares dos migrantes com a promessa de uma vida melhor na Europa, mas demonstram pouca preocupação com seu bem-estar.

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Moraes quer que os Estados-membros da União Europeia atuem mais para ajudar os imigrantes.

Isso poderia ajudar a reduzir o número de mortes de imigrantes no Mediterrâneo - em 2014, foram mais de 3.000.

Pedido de socorro

Um dos navios que tentavam resgatar os migrantes era da Islândia. A Guarda Costeira do país disse à BBC que a maré alta e o mau tempo tornavam mais difícil levar o Ezadeen para a costa. O navio mercante tem 73 metros e está a 65 km da Itália.

O navio da guarda costeira islandesa Tyr está patrulhando a costa italiana como parte da missão da Frontex.

As autoridades descobriram o navio abandonado após uma chamada de socorro de um dos imigrantes, que conseguiu operar o rádio marítimo a bordo do Ezadeen, de acordo com a guarda costeira italiana.

"Estamos sem tripulação, nós estamos indo em direção à costa italiana e não temos ninguém para pilotar o navio", disse ele.

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O Ezadeen foi construído há quase 50 anos e é um navio para transportar cargas vivas, como animais.

Ele deveria estar navegando entre Chipre e o sul da França, de acordo com um site de rastreamento de movimentos marítimos.

Ele aparece registrado por uma empresa libanesa, mas aparentemente caiu sob controle de traficantes de seres humanos.

Outro caso

O primeiro navio, o Blue Sky M, transportando 970 pessoas, foi abandonado na terça-feira e deixado no piloto automático por sua tripulação -que acredita-se ser composta por traficantes de pessoas.

A Guarda costeira italiana conseguiu controlar a embarcação com segurança, ancorando-a ao porto italiano de Gallipoli na quarta-feira.

Os imigrantes, que são principalmente sírios e curdos, foram levados para escolas locais e um ginásio.

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Trinta e cinco foram levadas ao hospital para receber tratamento para hipotermia, de acordo com a porta-voz da Cruz Vermelha italiana Mimma Antonacci.

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