EUA e Israel atacam Irã e Trump fala 'em grandes operações de combate'; siga

Donald Trump confirmou que "grandes operações de combate" estão em andamento. Bombardeio acontece depois de semanas de tentativa de negociação diplomática

28 fev 2026 - 05h56
(atualizado às 07h36)
Fumaça em Teerã após ataque conjunto entre EUA e Irã
Fumaça em Teerã após ataque conjunto entre EUA e Irã
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Estados Unidos e Israel lançaram um ataque coordenado contra o Irã na manhã deste sábado (28/02). O presidente americano, Donald Trump, confirmou que "grandes operações de combate" estão em andamento.

Segundo a agência de notícias iraniana Fars, explosões foram ouvidas em cinco cidades: Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e na capital Teerã.

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O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu uma "resposta esmagadora", afirmando que os ataques ocorreram "mais uma vez durante negociações" com Washington.

Após os ataques, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que o Irã lançou ataques retaliatórios contra o território israelense.

Instalações da Marinha dos EUA no Bahrein também foram alvo de um "ataque com mísseis", segundo o governo local.

A operação conjunta contra o território iraniano acontece após semanas de negociações entre Washington e Teerã na tentativa de fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

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Na manhã deste sábado, Trump publicou um vídeo em suas redes sociais confirmando os ataques e afirmando que a ação seria uma forma de prevenção contra o programa nuclear iraniano.

O Irã "tentou reconstruir seu programa nuclear e continuar desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos bons amigos e aliados na Europa, nossas tropas estacionadas no exterior e que em breve poderiam atingir o território americano".

Segundo Trump, os EUA vão reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e "aniquilar" sua Marinha.

O americano instou os iranianos a usarem o momento para derrubar o regime clerical do país. "Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações", declarou.

Ele também disse aos membros das forças de segurança iranianas que eles receberiam "imunidade" se depusessem as armas, ou então "enfrentariam morte certa".

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Moradores de Teerã correm para se proteger durante ataque
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Pouco antes de Trump confirmar os ataques, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, havia descrito a operação como um "ataque preventivo".

Em um comunicado, o presidente israelense, Benjamin Netanyahu, disse ainda que "um regime terrorista assassino" não deve possuir armas nucleares "que lhe permitam ameaçar toda a humanidade".

"Agradeço ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica", afirmou.

'Resposta esmagadora'

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou em comunicado que, embora o Irã estivesse ciente das "intenções" dos EUA e de Israel de realizar ataques, participou das negociações com Washington mesmo assim.

A pasta ressaltou que os ataques ocorreram "enquanto o Irã e os Estados Unidos estavam em meio a um processo diplomático".

A terceira rodada de negociações nucleares indiretas entre o Irã e os EUA foi realizada há dois dias, em 26 de fevereiro, em Genebra, sem grandes avanços.

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O Irã e os EUA também realizaram cinco rodadas de negociações que não obtiveram resultado em maio do ano passado. Uma sexta rodada, prevista para junho de 2025, foi cancelada depois que Israel lançou ataques surpresa contra alvos iranianos, desencadeando um conflito de 12 dias no qual os EUA atingiram três importantes instalações nucleares iranianas.

Em nota, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu uma "resposta esmagadora" após os ataques deste sábado. O órgão afirmou que o "inimigo" presumiu erroneamente que o povo iraniano "cederia às suas exigências mesquinhas por meio de ações tão covardes".

O Conselho também confirmou que as forças armadas iranianas já iniciaram medidas retaliatórias e prometeu "manter o povo informado continuamente".

O governo iraniano ainda disse que as operações dos EUA e de Israel poderiam continuar em Teerã e outras cidades, instando os cidadãos a, "mantendo a calma", se deslocarem para áreas mais seguras, sempre que possível, para evitar o perigo.

Também tranquilizou o público, afirmando que o governo "preparou todas as necessidades da sociedade com antecedência" e que "não há preocupação com o fornecimento de bens essenciais", aconselhando as pessoas a evitarem centros comerciais lotados.

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Escolas e universidades permanecerão fechadas até novo aviso, os bancos continuarão prestando serviços e os órgãos governamentais operarão com 50% da capacidade, informou o Conselho.

Fumaça após ataques em Teerã
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O Irã está agora sob um bloqueio de internet quase total, de acordo com a NetBlocks, uma agência de monitoramento da internet.

Esta não é a primeira vez que a internet do país é interrompida. No mês passado, os serviços de internet e telefonia foram cortados durante protestos em todo o país, que foram brutalmente reprimidos pelo governo.

Como se encontra o programa nuclear do Irã?

A situação do programa nuclear iraniano não é clara após o país ter visto instalações nucleares chaves suas serem atacadas durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã que aconteceu em junho do ano passado.

Os EUA entraram brevemente no conflito, atacando três instalações — o maior complexo de pesquisa nuclear do Irã, em Isfahan, além de centros em Natanz e Fordo usados para enriquecer urânio para uso como combustível nuclear.

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Trump disse que as instalações haviam sido "destruídas". Uma semana depois, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, disse que os ataques causaram danos graves, embora "não totais", sugerindo que alguma forma de enriquecimento poderia ser retomada dentro de alguns meses.

A agência estima que, quando Israel lançou ataques aéreos em 13 de junho, o Irã tinha um estoque de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza — um pequeno passo técnico para atingir os 90% necessários para armas nucleares.

Grossi disse em outubro à agência de notícias Associated Press que essa quantidade — se enriquecida ainda mais — seria suficiente para produzir dez bombas nucleares.

Em novembro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à revista The Economist que o enriquecimento de urânio tinha sido paralisado.

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No mês passado, ele causou controvérsia em outra entrevista, esta ao canal de notícias Fox News. "Sim, vocês destruíram as instalações, as máquinas, mas a tecnologia não pode ser bombardeada, e a determinação também não pode ser bombardeada."

Grossi disse à Reuters em janeiro que conseguiu inspecionar 13 instalações nucleares no Irã que não foram bombardeadas, mas não as três principais que haviam sido. Ele afirmou que já tinham se passado sete meses desde a última verificação do estoque de urânio enriquecido do Irã.

Persistem incertezas sobre questões-chave, particularmente a localização e o estado do estoque, além da condição das instalações de enriquecimento.

* Com informações de Luís Barrucho

* Esta reportagem está em atualização

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