Os Estados Unidos decidiram impor tarifas de 25% contra o Brasil, antecipou a CNN nesta quarta-feira (15). Segundo o governo americano, a medida tem como base práticas comerciais "desleais".
Washington deve oficializar a aplicação da taxa ainda hoje, prazo final legal para sua adoção.
A CNN informou que o chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (Ustr), Jamieson Greer, deu as negociações por encerradas na terça-feira (14), após a última reunião entre os países. Na ocasião, ele teria reclamado da "falta de empenho" por parte da equipe brasileira.
Duas fontes disseram à emissora que Greer afirmou que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções às novas tarifas, sugerindo que não haverá aumentos graduais da lista de produtos isentos, como aconteceu no tarifaço de 2025.
Os negociadores brasileiros destacaram no encontro a importância de certos produtos para o comércio bilateral, como a exportação de peças por subsidiárias americanas para suas matrizes nos EUA.
O argumento teria sido bem aceito pelo Ustr, conforme destacou a CNN, acrescentando que isso gerou expectativa no governo do Brasil de que mais produtos industrializados possam escapar da taxação.
A crise entre os dois países ocorre após a visita "bem-sucedida" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seu homólogo americano, Donald Trump, em maio.
Em junho, Washington propôs a tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras após concluir uma investigação comercial. Brasília teve até 1º de julho para responder às acusações.
A decisão americana teve como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974, citando o sistema de pagamento brasileiro Pix, o combate à corrupção e o desmatamento ilegal entre as justificativas para a aplicação da tarifa.
De acordo com o relatório do Ustr, o Banco Central do Brasil favorece o Pix em detrimento de provedores americanos, ao mesmo tempo em que Brasília falha em medidas para acabar com a corrupção e com o desmatamento ilegal.