O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou a atenção ao discursar no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta terça-feira, 20, enquanto usava um par de óculos escuros. De acordo com o Palácio do Eliseu, o uso do acessório tem um motivo de saúde.
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"Ele está usando óculos por conta da sensibilidade à luz, enquanto trata a lesão mencionada na semana anterior", declarou uma fonte próxima ao presidente francês à Reuters.
A condição dos olhos de Macron já havia chamado a atenção na última quinta-feira, 15, quando apresentou vermelhidão durante um discurso em uma base aérea.
O presidente da França chegou a assegurar ao público que a irritação não era 'nada sério'. Segundo o Eliseu, a lesão foi causada pelo rompimento de um vaso sanguíneo e garantiu não se tratar de nenhuma condição contagiosa ou infecciosa.
Críticas a 'ambições imperiais' e 'vassalagem'
O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou as "ambições imperiais" e a "vassalagem" na geopolítica mundial, em clara alusão às ações do mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem intensificando as investidas para tomar a Groenlândia da Dinamarca.
Macron discursou no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, poucas horas depois de Trump expor, nas redes sociais, uma mensagem privada do líder francês questionando o presidente americano sobre a Groenlândia e sugerindo realizar uma cúpula do G7 em Paris.
O embate tem como pano de fundo o recente anúncio dos EUA de tarifas alfandegárias de 10% contra produtos da França e de mais sete países europeus que se posicionaram em defesa da soberania dinamarquesa na ilha do Ártico. Além disso, Trump ameaçou taxar vinhos franceses em 200% se Macron recusar o convite para um assim chamado "Conselho da Paz" para a Faixa de Gaza.
"Estamos chegando a uma fase de instabilidade e desequilíbrio tanto para a segurança quanto para a economia, com mais de 50 guerras, ainda que me digam que algumas foram resolvidas", disse Macron, ironizando a reivindicação de Trump de ter solucionado oito conflitos pelo mundo no ano passado.
"É uma passagem rumo a um mundo sem regras, onde a lei internacional é pisoteada e as ambições imperiais voltam à superfície", acrescentou o presidente da França.
Segundo ele, as novas tarifas anunciadas pelos EUA são "inaceitáveis", ainda mais quando "usadas como instrumento contra a soberania territorial".
"A França e a Europa dão grande importância à soberania e à independência. Por isso decidimos deslocar forças para a Groenlândia", justificou Macron, para quem é preciso "descartar a aceitação passiva da lei do mais forte, que leva à vassalagem e à política do sangue".
A crise nas relações transatlânticas deve ser tema de uma reunião de emergência de líderes da União Europeia na próxima quinta-feira, 22, em Bruxelas.