Em sua conta na rede social Truth Social, o líder republicano afirmou que essa exigência será feita de maneira "firme" nas futuras negociações com o regime islâmico. Segundo ele, essa é uma resposta a uma demanda antiga das autoridades iranianas, que condicionam qualquer acordo sobre o Estreito de Ormuz ao pagamento de reparações pelos Estados Unidos.
O Irã "pede compensações pelos danos que sofreu durante os cinco meses de conflito militar", publicou Trump. Segundo o presidente americano, esse detalhe nunca foi mencionado em nenhuma das negociações ou reuniões.
"Mas é uma ideia interessante porque, da mesma forma, eu também peço compensações ao Irã por todas as pessoas que eles mataram e feriram", reitera a publicação, citando o navio de guerra americano alvo de um atentado mortal em 2000, no Iêmen.
Trump acrescentou que "compensações deveriam ser pagas às famílias dos centenas de milhares de manifestantes inocentes que o Irã matou nos últimos cinquenta anos, sem falar dos 52 mil mortos nos últimos cinco meses".
Em uma publicação posterior, o presidente americano ainda afirma que o regime iraniano deveria também ser responsabilizado pelos danos e pelas mortes causadas às populações do Líbano, da Síria, do Iêmen e da Faixa de Gaza.
Acordo em suspenso
A nova exigência do presidente americano torna ainda mais improvável um acordo rápido sobre o estreito de Ormuz, já que o Irã, por sua vez, exige que Washington aceite todas as suas condições. Teerã considera que os Estados Unidos devem "encerrar definitivamente a guerra e a agressão" contra o Irã e seus aliados - inclusive no Iêmen e no Iraque. Além disso, o regime exige a suspensão do bloqueio aos portos iranianos, ser indenizado "integralmente" pelos danos causados pelas hostilidades, o levantamento das sanções contra a economia e o desbloqueio "sem condição" dos ativos iranianos congelados.
No domingo (9), Donald Trump deu a entender que não precisa lançar uma grande ofensiva militar nem fazer um esforço diplomático particular, afirmando que basta "observar" as dificuldades econômicas do Irã. Em entrevista ao site de notícias Axios, o líder republicano expressou seu otimismo sobre o alcance de um acordo, comparando as conversas a "um jogo de xadrez".
A declaração foi ironizada o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva em Teerã nesta segunda-feira. Para ele, tanto nas negociações oficiais como nos bastidores, "os iranianos demonstraram que são jogadores profissionais de xadrez".
Negociações indiretas
Baqaei reiterou a mensagem repetida nos últimos dias pelas autoridades iranianas: "não há negociação direta" em curso com Washington. Segundo ele, ocorrem apenas "trocas de mensagens" por meio de intermediários, e as conversas não serão retomadas enquanto os Estados Unidos continuarem cometendo "violações" do protocolo de acordo.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, até que essa situação mude "não estarão garantidas as condições necessárias para estabelecer um tráfego marítimo internacional seguro".
Enquanto o impasse continua, Teerã blinda o estratégico Estreito de Ormuz e Washington impõe como resposta um bloqueio dos portos iranianos. A diplomacia iraniana não esconde que prefere se concentrar nas negociações com Omã, com quem pretende definir uma futura rota de trânsito na região.
Ainda restam "alguns pontos técnicos" a discutir, ressaltou Baqaei, que também mencionou vários "mecanismos" que precisam ser implementados para garantir a segurança e a limpeza da via marítima. "Como regra geral, quando se prestam serviços marítimos, necessariamente se recebe algo em troca", disse.
O Irã já afirmou diversas vezes que não aceitará retornar à situação anterior à guerra. Além disso, deseja cobrar pelo trânsito no Estreito de Ormuz, apesar da oposição dos Estados Unidos e de vários países, assim como do direito internacional do mar.
RFI com AFP