Copiloto usou machado em ataque a comandante de avião para Israel

O copiloto atacou o piloto com um machado e tentou derrubar o avião, que despencou 5.200 metros. Passageiros dominaram o agressor e a aeronave pousou em segurança na Arábia Saudita.

3 out 2026 - 14h09
Resumo
Um copiloto atacou o comandante com um machado de emergência e tentou derrubar um voo da Flydubai que ia de Dubai a Tel Aviv com mais de 170 pessoas. A aeronave despencou 5.200 metros, mas o piloto ferido conseguiu destrancar a cabine. Passageiros invadiram o local, imobilizaram o agressor e pilotos reservas pousaram em segurança na Arábia Saudita. Autoridades investigam o caso como ato terrorista; o agressor, identificado como suicida e radicalizado, foi detido, e o piloto ferido se recupera bem.
O governo da Índia elogiou o capitão Smit Machchhar por sua "imensa coragem" durante o ataque.
O governo da Índia elogiou o capitão Smit Machchhar por sua "imensa coragem" durante o ataque.
Foto: Embaixada da Índia em Israel / BBC News Brasil

O copiloto que tentou assumir o controle de um avião da Flydubai com destino a Israel atacou o piloto com um machado de emergência da cabine, afirmou o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos.

O voo de Dubai a Tel Aviv, com mais de 170 pessoas a bordo, caiu 5.200 metros duas horas e meia após a decolagem, antes de os passageiros conseguirem dominar o agressor e retomar o controle da aeronave.

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O capitão Smit Machchhar disse que estava caído no chão, ferido, quando percebeu que o avião perdia altitude e que precisava agir. "Falei para mim mesmo que ia fazer um último esforço para abrir a porta por dentro", explicou. Foi essa atitude que permitiu a entrada dos passageiros.

Dois pilotos reservas então pousaram o avião em segurança na Arábia Saudita.

O machado de emergência costuma ficar na cabine de comando para situações de emergência.

A arma usada tem sido uma questão central para os investigadores, dada a rígida segurança de uma rota tão sensível. Relatos iniciais de passageiros a bordo haviam sugerido que poderia ter sido uma faca.

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O procurador-geral dos Emirados disse à imprensa estatal que as investigações seguiam em curso para determinar todas as circunstâncias e os motivos do incidente.

O copiloto que iniciou o ataque era um cidadão de Omã, segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Vários veículos de imprensa, incluindo Reuters, CNN e The New York Times, o identificaram como Hamam al-Hammami. Não houve confirmação oficial dessa informação.

Quando trabalhava em outra companhia aérea, a Oman Air, Al-Hammami foi afastado do treinamento de voo por preocupações com suas opiniões radicais e recebeu outra função na companhia aérea nacional de Omã, segundo a imprensa americana.

Ele concluiu um curso de educação a distância de três anos na Buckinghamshire New University, no Reino Unido, e se formou em gestão de aviação em 2023, informou a universidade. A instituição acrescentou que ele não fez nenhum treinamento de piloto na escola.

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Em entrevista à Fox News, Netanyahu disse que, depois de ser contido no voo, o agressor gritou para a tripulação: "Me matem, me matem!"

O premiê israelense acrescentou: "Então, está claro que ele era suicida... Parece muito provável que ele fosse derrubar o avião."

Ele também disse que o agressor "passou por uma doutrinação islâmica radical".

O procurador-geral dos Emirados, Hamad Saif Al Shamsi, disse que as investigações sobre o incidente revelaram que o copiloto tentou realizar um "ato terrorista", segundo a agência estatal de notícias do país.

Ele também disse que as investigações estavam em andamento para estabelecer as circunstâncias, os motivos e eventuais ligações relacionadas ao caso.

Machchhar, que foi esfaqueado no ataque, foi levado a um hospital próximo antes de ser transferido de avião para Abu Dhabi, onde, segundo informações, está estável.

O piloto, que é indiano, estava "com boa saúde e se recuperando bem", informou a embaixada da Índia nos Emirados na quinta-feira (2/10).

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"Tenho confiança de que a recuperação vai acontecer e que voltarei a ficar apto e saudável", disse Machchhar.

O capitão Machchhar ingressou na Flydubai em 2022.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Cerca de duas horas e meia depois de o avião decolar do Aeroporto Internacional de Dubai, ele começou a despencar bruscamente.

A aeronave emitiu o código de "emergência geral", 7700, antes de mudar para o 7500 — código que sinaliza "interferência ilícita" ou sequestro.

Em entrevista à BBC, um passageiro descreveu o momento em que percebeu que algo estava errado.

Almog Itali disse: "De repente, o avião começou a cair, como uma montanha-russa, com uma força G enorme. Ficou caindo por 20 ou 30 segundos, rapidamente, depois se equilibrou e então começou a cair de novo."

As pessoas então passaram a correr em direção à cabine de comando, contou.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, disse na quinta-feira (2/10) que o alarme foi acionado a bordo por uma israelense, Tali Manes, que ouviu a confusão vinda da cabine.

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O marido dela, Zvika, ao lado de outros três homens — Yaniv Hayun, o médico Shota Musayev e Asaf Rajuan —, entrou na cabine depois que o capitão Machchhar conseguiu abrir a porta, apesar dos ferimentos.

Hayun disse, em um vídeo divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro, que o agressor estava "tentando destruir os instrumentos para inutilizar o avião".

Hayun então descreveu ter imobilizado o agressor com uma gravata e o puxado para fora da cabine, antes de outros passageiros ajudarem a contê-lo no chão.

Ele acrescentou que "assumiu os controles" do avião. "O avião começou a se estabilizar, um pouco mais, e então um [outro] piloto me disse que assumiria dali em diante", contou.

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Em entrevista à CNN na noite de quarta-feira (1º/10), Netanyahu disse que o piloto esfaqueado, os passageiros e a segunda tripulação "conseguiram evitar um desastre como o do 11 de Setembro".

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