Pierre Olivier, da RFI
"Em certo sentido, isso pode ser visto como uma vitória para Donald Trump", afirma o especialista em entrevista à RFI. "Mas, por outro lado, não." A ambiguidade se explica pelas relações estreitas que o republicano mantém com várias monarquias do Golfo Pérsico, em especial a Arábia Saudita e os próprios Emirados Árabes Unidos.
"Donald Trump é próximo de muitas monarquias do Golfo", observa o analista. "Ver um abismo se aprofundar entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos pode ser problemático para a Casa Branca," continua. Segundo Falakshahi, um distanciamento entre esses dois aliados-chave teria potencial para fragilizar equilíbrios diplomáticos considerados estratégicos por Washington.
Já do ponto de vista dos mercados de petróleo, a leitura tende a ser diferente, e mais favorável aos interesses americanos. Com a saída dos Emirados, a Opep pode ver reduzida sua capacidade de coordenar políticas de produção, o que tende a pressionar os preços para baixo. "Se a Opep se enfraquecer em suas decisões, isso é positivo para Donald Trump", afirma o analista.
Preço ao consumidor
Embora os Estados Unidos sejam hoje um dos maiores produtores mundiais de petróleo, a prioridade americana permanece sendo o consumo interno. "Os Estados Unidos sempre preferirão preços baixos para sustentar sua economia", ressalta. Nesse contexto, o aumento da produção emiradense fora dos limites da Opep pode ter impacto direto sobre o mercado internacional.
"O fato de os Emirados Árabes Unidos poderem produzir mais petróleo leva a uma queda nos preços do petróleo bruto", explica. Um cenário que coincide com o discurso recorrente de Donald Trump, que insiste que os preços da gasolina cairiam rapidamente com o aumento da oferta global e o fim dos conflitos.
A saída dos Emirados da Opep coloca, assim, em evidência um dilema para os Estados Unidos: ganhos econômicos potenciais com a queda dos preços do petróleo, contrapostos ao risco de tensões diplomáticas numa região central para os interesses estratégicos americanos.