Colombianos avaliam reformas de esquerda contra linha dura da direita em eleição presidencial

31 mai 2026 - 13h33

Os colombianos começaram a votar neste domingo, no que provavelmente será apenas ‌o primeiro turno da eleição presidencial, escolhendo entre um esquerdista que promete ampliar as reformas, um empresário independente que promete uma linha dura na segurança e uma senadora de direita que busca se tornar a primeira mulher líder do país.

O esquerdista Ivan Cepeda, um senador de 63 anos, tem liderado as pesquisas de opinião, mas parece provável que não alcance o apoio de mais de 50% necessário para evitar um segundo turno em junho. ⁠As pesquisas sugerem que ele enfrentará uma disputa muito mais difícil no segundo turno, uma vez que os eleitores centristas ‌e de direita não terão mais vários candidatos deste campo político para escolher.

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Cepeda, filho de um líder comunista assassinado, prometeu buscar a paz com grupos armados ilegais por meio de negociações, uma política que levou a pouco ‌progresso sob o comando do atual presidente Gustavo Petro. Ele também ‌planeja aprofundar as reformas destinadas a reduzir a desigualdade e a pobreza, inclusive aumentando os impostos sobre ⁠rendimentos elevados, doando 1 milhão de hectares  às vítimas do conflito interno de seis décadas no país e expandindo a cobertura de saúde.

A professora Graciela Rojas, 46 anos, disse que quer que as reformas de Petro continuem.

"Estou apoiando Cepeda com a esperança de que o país possa continuar no caminho da mudança e alcançar o que foi bloqueado durante este mandato pelos parlamentares de direita e pelos tribunais", disse ela após votar no sudoeste de Bogotá. ‌Petro usou decretos para aprovar algumas políticas bloqueadas pelos tribunais, incluindo um aumento de mais de 20% no salário mínimo ‌este ano.

ADVOGADO COM AGENDA DURA CONTRA ⁠O CRIME

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Logo atrás de Cepeda ⁠está o advogado e empresário Abelardo De La Espriella, que nunca ocupou um cargo eletivo, mas cujo estilo e propostas políticas ⁠atraíram comparações com Nayib Bukele, presidente de El Salvador.

Apresentando-se como um ‌outsider, sem bagagem política, De La ‌Espriella, 47 anos, propôs uma dura ofensiva contra grupos armados ilegais, a construção de 10 megaprisões e a redução da pobreza por meio de melhor educação, saúde e moradia para os mais pobres.

"Acreditamos que, com Abelardo, poderemos voltar ao caminho do crescimento e da prosperidade que tínhamos antes de a esquerda chegar e ⁠destruir tudo", disse Jhon Vergara, um mecânico de automóveis de 55 anos. "Não podemos permitir que isso continue indo na direção errada. Temos que pensar nas gerações futuras e no país que queremos deixar - no meu caso, para os meus netos."

De La Espriella, que representou legalmente figuras controversas, incluindo o ex-ministro venezuelano Alex Saab, advertiu que Cepeda garantiria a continuação das políticas econômicas muito criticadas de ‌Petro, incluindo a proibição de novos projetos de petróleo.

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O advogado diz que financiou sua campanha com seus próprios recursos, sem receber doações de partidos ou grandes empresas. A Reuters não pôde verificar essa afirmação de forma independente.

CANDIDATA ⁠DE DIREITA CONTRA A CORRUPÇÃO

Em terceiro lugar nas pesquisas está Paloma Valencia, senadora apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe e, até recentemente, a principal candidata de direita na disputa.

A plataforma de Valencia tem semelhanças com a de De La Espriella, incluindo uma linha dura contra a corrupção, o tráfico de drogas e os grupos armados ilegais. Ela também apoia isenções fiscais para empresas destinadas a criar empregos e programas sociais para melhorar a saúde, a educação e a moradia, financiados por uma nova exploração de petróleo e gás.

O foco de Valencia no combate à corrupção repercutiu no proprietário Antonio Pena, 69 anos, que disse ter votado em Petro em 2022.

"Há quatro anos, eu apoiava a mudança, mas fiquei profundamente decepcionado. O que mais me decepcionou foi ver a corrupção continuar como antes e as promessas não serem cumpridas", disse ele.

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Mais de 40 milhões de colombianos estão aptos a votar. As seções eleitorais ficarão abertas até as 16h, horário local (18h em Brasília), e os resultados definitivos serão divulgados em algumas horas, segundo as autoridades.

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