China busca controle mais rígido de exportações relacionadas à IA em meio à rivalidade com EUA

16 out 2026 - 12h28
Resumo
A China propôs controlar a exportação de 23 tecnologias de inteligência artificial para proteger sua segurança nacional e disputar a liderança com os EUA. As restrições focam na implantação externa de modelos e clusters avançados, visando conter riscos cibernéticos, mas poupam o acesso via APIs, sites e código aberto. A estratégia busca preservar a tecnologia sensível sem frear a expansão global de gigantes locais como Alibaba e DeepSeek, em meio a tensões e diálogos bilaterais com Washington.

A China propôs, nesta sexta-feira, controles ‌de exportação para 23 tecnologias de inteligência artificial, incluindo aquelas que envolvem modelos, agentes e clusters de computação — sua mais recente medida para limitar a transferência de ferramentas que considera vitais para a segurança nacional e a competição geopolítica com os Estados Unidos.

As propostas abrangem a implantação no exterior de modelos de IA que contenham ⁠tecnologia restrita, mas excluem o acesso por meio de interfaces de programação de aplicativos (APIs), ‌sites, aplicativos e plataformas de software como serviço, informou o Ministério do Comércio da China.

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Essa distinção poderia permitir que desenvolvedores chineses de IA, como a DeepSeek e ‌o Alibaba, continuem se expandindo internacionalmente, ao mesmo ‌tempo em que dá a Pequim maior controle sobre as transferências de ⁠tecnologia sensível de IA para o exterior.

Os modelos chineses de IA ganharam espaço no exterior graças aos preços mais baixos e ao aprimoramento de suas capacidades desde que o modelo R1 da DeepSeek surgiu no início do ano passado, aumentando os riscos para Pequim ao decidir o nível de rigor com que deve proteger o setor.

A ‌Reuters informou em julho que as autoridades chinesas haviam discutido com grandes empresas de ‌tecnologia, incluindo Alibaba, ByteDance e ⁠Z.AI, a possibilidade ⁠de restringir o acesso internacional aos modelos de IA mais avançados da China, inclusive aqueles ainda ⁠não lançados.

As capacidades de modelos de ponta, ‌como o Mythos, da Anthropic, destacaram ‌o potencial da IA para potencializar ataques cibernéticos, o que preocupa Pequim e leva as empresas chinesas a buscar o desenvolvimento de suas próprias versões.

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Os controles de exportação de Washington sobre o acesso da China aos chips norte-americanos de ⁠IA de ponta, necessários para treinar modelos de vanguarda, têm ajudado até agora a manter as empresas norte-americanas Anthropic e OpenAI na liderança, embora os rivais chineses estejam encontrando soluções alternativas para diminuir a diferença.

Enquanto ambos os países se esforçam para liderar em IA, alguns esforços bilaterais ‌estão em andamento para lidar com os riscos existenciais representados pela tecnologia. As duas potências concordaram em manter os seres humanos no controle das decisões sobre armas ⁠nucleares e, no mês passado, estabeleceram um diálogo e um canal de comunicação para incidentes relacionados à IA avançada.

O Ministério do Comércio da China informou, nesta sexta-feira, que as medidas de controle visam, em parte, impedir o uso indevido de tecnologias de IA, incluindo sistemas capazes de gerar e modificar autonomamente softwares maliciosos que poderiam ameaçar infraestruturas críticas e a segurança nacional.

Segundo o ministério, a maioria das tecnologias de IA continuará a ser livremente exportável, com licenciamento simplificado para exportações de tecnologia de código aberto e para empresas chinesas que operam seus próprios centros de computação no exterior. A tecnologia já de domínio público por meio de lançamentos de código aberto ou artigos acadêmicos ficaria fora dos controles propostos.

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