O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu nesta sexta-feira um "esclarecimento" sobre o papel dos EUA na tentativa de pôr fim à guerra na Ucrânia.
Em respostas por escrito a perguntas da mídia, Lavrov intensificou uma discussão com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre se os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump haviam chegado a um entendimento sobre as linhas gerais de um acordo de paz quando se encontraram no Alasca no ano passado.
A Rússia afirma que de fato houve tal entendimento, ao qual costuma se referir como "o espírito de Anchorage".
Mas Rubio, em declarações à imprensa na quinta-feira, negou que qualquer acordo tenha sido alcançado.
"Houve uma proposta no Alasca, mas não houve acordo no Alasca. Se houvesse um acordo, já teríamos o fim da guerra", disse Rubio.
Lavrov, em resposta, apresentou a versão mais detalhada até o momento do que ocorreu na cúpula em agosto passado.
Ele disse que Putin examinou uma série de propostas dos EUA que o enviado de Trump, Steve Witkoff, havia levado a Moscou dias antes, listando-as ponto por ponto e verificando com Witkoff — que estava presente na cúpula junto com Trump e Rubio — se ele, Putin, as havia anotado corretamente.
Lavrov, que também estava na reunião, disse que Witkoff respondeu afirmativamente todas as vezes.
"Portanto, quando meu colega M. Rubio diz que houve apenas propostas no Alasca, mas nenhum acordo, isso levanta uma questão sobre o que realmente entendemos por 'acordo'", afirmou Lavrov.
"Se um lado — neste caso, os EUA — colocou na mesa suas propostas para uma solução e uma maneira de abordar essa crise, e o outro lado expressou seu consentimento com essas propostas, então alegar que não houve acordo parece bastante indelicado."
Ele acrescentou que "toda a situação" em torno do papel dos EUA precisava ser esclarecida.
Comentários críticos de Lavrov e de outras autoridades russas nesta semana apontam para uma mudança na avaliação de Moscou sobre os esforços de Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia, que estão estagnados desde que EUA e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em fevereiro.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse a Trump e a outros líderes ocidentais na semana passada que Kiev estava revertendo o rumo da guerra com seus ataques no interior do território russo, incluindo refinarias de petróleo e instalações industriais.
A Rússia contesta isso e afirma que alcançará a vitória no campo de batalha caso os esforços diplomáticos não consigam chegar a um acordo de paz. Suas forças controlam cerca de um quinto da Ucrânia após mais de quatro anos de guerra.
O Kremlin reiterou na sexta-feira que valoriza os esforços de mediação de Trump e espera que eles sejam retomados.
Mas o porta-voz Dmitry Peskov, quando questionado se Moscou considerava os EUA um mediador neutro, disse que não existe neutralidade absoluta, pois os EUA ainda vendem armas e fornecem apoio tecnológico à Ucrânia.