A brasileira Gabriella Querino, de 26 anos, será sepultada com seu vestido de noiva após morrer com o marido italiano em uma colisão de barco na lagoa de Veneza. O condutor do táxi aquático envolvido estava sob efeito de álcool e drogas. Recém-casados no civil, eles planejavam a união religiosa. Após homenagens e funeral na Itália, que mobilizaram autoridades locais, o corpo da jovem será repatriado para Ribeirão Preto (SP), onde ocorrerá o enterro definitivo junto aos familiares.
A brasileira Gabriella Querino Elorriaga, de 26 anos, que morreu com seu marido, o pescador italiano Sean Michieli, de 25, em um acidente de barco na lagoa de Veneza, no norte da Itália, em 12 de setembro, será enterrada usando seu vestido de noiva.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (6) pelo jornal italiano Corriere del Veneto, que ouviu a mãe da jovem, Gisele.
Segundo a publicação, a mãe segurou o vestido e o beijou por um longo tempo antes de entregá-lo à funerária.
Gabriella e Sean haviam se casado civilmente em 8 de junho, na sede da Prefeitura de Veneza. O casal morava na ilha de Burano e planejava realizar também a cerimônia religiosa.
Os caixões dos dois deixarão o necrotério de Mestre acompanhados pelas famílias após as 8h (horário local) desta quarta-feira (7). Eles seguirão para a Igreja da Santíssima Trinità, localizada em Cavallino-Treporti, nas proximidades de Veneza, onde o funeral está previsto para começar por volta das 10h.
Flores brancas que Gabriella e Sean sonhavam usar em seu casamento religioso serão colocadas sobre os caixões.
Após o funeral, a música espanhola favorita de Gabriella será tocada do lado de fora da igreja. Uma fotografia do casal também será exibida para lembrar os dois jovens em um momento de felicidade.
Familiares, amigos, colegas e conhecidos deverão participar da despedida. Os pais e parentes de Sean vivem em Cavallino, enquanto o casal mantinha fortes vínculos com a região.
Cavallino-Treporti, as bandeiras serão hasteadas a meio mastro, e a administração municipal participará oficialmente do funeral, a pedido da família.
A prefeita Roberta Nesto também convocou os moradores para um minuto de silêncio às 10h, horário previsto para o início da cerimônia.
"Embora não fossem nossos concidadãos, Gabriella e Sean tinham fortes laços com nossa região, e seu falecimento trágico afetou profundamente nossa comunidade", afirmou a política italiana.
Segundo Nesto, o minuto de silêncio é uma forma de demonstrar "proximidade, respeito e solidariedade" às famílias e às pessoas que amavam o casal.
Em Veneza, o prefeito Simone Venturini também decretou luto na cidade até a realização do funeral. A medida, segundo a prefeitura, busca expressar solidariedade e condolências às famílias dos dois jovens.
Depois das homenagens na Itália, o corpo de Gabriella será repatriado para o Brasil. Na quinta-feira (8), ela seguirá para Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, acompanhada pela mãe, Gisele, e pela irmã, Maria Eduarda.
Na cidade natal, a jovem será velada e sepultada perto de familiares, incluindo irmãos, pais, primos, avós, tios e tias.
Durante o velório realizado na Itália, a cônsul honorária Helen Heyzel Gnocchi esteve ao lado de Gisele e Maria Eduarda. A família também deverá contar com o acompanhamento da cônsul-adjunta do Brasil em Milão, Mari Carmen Rial Gerpe, e da advogada Rosemary Patrizi dos Anjos.
O repatriamento de Gabriella e as homenagens receberam apoio do Instituto Brasileiro de Formação Profissional (Sesi), onde Gisele trabalha, e da Prefeitura de Cavallino-Treporti.
No dia do acidente, o casal havia saído para pescar quando a embarcação em que estavam colidiu com um táxi aquático no canal de navegação que dá acesso ao Aeroporto Internacional Marco Polo.
Michieli, filho de uma tradicional família de pescadores da ilha de Burano, chegou a ser resgatado com vida e transportado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos decorrentes de um traumatismo craniano. Gabriella foi arremessada na água no momento do impacto, e seu corpo foi localizado pelas equipes de resgate três dias após o acidente.
O condutor do táxi aquático envolvido na colisão estava sob efeito de álcool e de entorpecentes, de acordo com a advogada Mariarosa Cozza, que representa a família de Sean. .