O governo brasileiro aprovou um novo protocolo de certificação para "bovinos livres do uso de medicamentos antimicrobianos", em uma tentativa de garantir a continuidade das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia.
A medida ocorre diante de uma nova exigência de Bruxelas, que entrará em vigor a partir de 3 de setembro. Pelas regras europeias, os animais destinados ao mercado comunitário não poderão ter recebido antimicrobianos em nenhuma etapa de suas vidas.
Enquanto não comprovar o cumprimento da norma, o Brasil ficará fora da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia.
A adesão ao protocolo será, portanto, fundamental para os pecuaristas que pretendem manter negócios com o bloco europeu.
O sistema de certificação prevê a participação de organismos certificadores credenciados, a criação de planos sanitários e nutricionais específicos e o controle detalhado sobre o uso de medicamentos nos rebanhos.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nenhuma propriedade rural foi certificada até o momento.
O setor ainda está em fase inicial de adaptação às novas exigências.
Um dos principais desafios para os produtores é substituir a monensina, aditivo amplamente utilizado na alimentação de bovinos para melhorar a eficiência alimentar e auxiliar no ganho de peso, mas que não é aceito pelas normas da União Europeia.
A Comissão Europeia informou que as regras já estão em vigor desde 2023 e avaliou que os países exportadores tiveram tempo suficiente para se adequar. Uma missão técnica europeia deverá visitar o Brasil no segundo semestre deste ano para verificar os avanços no processo de adaptação. .