Homem matou 6 pessoas e deixou centenas de feridos ao avançar com carro contra mercado natalino em Magdeburg, no leste alemão, em 2024. Promotores dizem que acusado não demonstrou qualquer tipo de arrependimento.O autor do atentado contra uma feira de Natal na cidade de Magdeburg, no leste da Alemanha, que em dezembro de 2024 causou seis mortes e deixou mais de 330 feridos, foi condenado nesta sexta-feira (26/06) à prisão perpétua.
O Tribunal Regional de Magdeburg aplicou, assim, a pena máxima possível ao acusado, o médico de origem saudita Taleb Al Abdulmohsen, de 51 anos - um ativista anti-Islã e adepto de teorias da conspiração -, por seis crimes de homicídio.
Autor memorizou rota
O juiz Dirk Sternberg disse que Abdulmohsen planejou o ataque por mais de um ano e percorreu o mercado cerca de dez vezes antes do ocorrido para memorizar a rota do ataque.
O magistrado iniciou a leitura do veredito com os nomes das vítimas fatais: um menino de 9 anos e cinco mulheres com idades entre 45 e 75 anos.
O homem, que vivia desde 2006 no estado de Saxônia-Anhalt e exercia a profissão de psiquiatra, conduziu deliberadamente um veículo alugado BMW X3 contra a multidão que estava na feira de Natal de Magdeburg na tarde de 20 de dezembro de 2024. O acusado foi condenado, além disso, por múltiplas tentativas de homicídio e lesões corporais graves.
Os juízes também constataram a existência de uma "culpabilidade especialmente grave" -classificação geralmente reservada aos crimes mais vis, cruéis ou moralmente reprováveis.
Na Alemanha, prisioneiros que cumprem pena de prisão perpétua podem tentar solicitar liberdade condicional após 15 anos, mas essa classificação torna a libertação muito menos provável.
"Acusado só se importa com ele mesmo"
De acordo com o Ministério Público (MP) alemão, o ato havia sido planejado há muito tempo, mas o acusado não perseguia objetivos ideológicos sérios.
"O acusado só se importava e se importa com ele mesmo", afirmou o promotor-chefe Matthias Böttcher em suas alegações finais.
Segundo a acusação, o homem, que foi detido imediatamente após o atropelamento em massa, agiu por vingança ao se sentir injustiçado depois de ter perdido um processo no Tribunal Regional Superior de Colônia contra membros de uma organização secular de ajuda a refugiados. Um perito psiquiátrico atestou, ainda, que o acusado sofria de transtorno de personalidade narcisista.
Réu admitiu planejamento e execução
Durante o julgamento, o réu admitiu ter planejado um atentado e ter conduzido o automóvel, mas negou ter atropelado as pessoas de forma deliberada, sem demonstrar qualquer tipo de arrependimento, remorso ou reflexão, conforme recriminou o MP.
Além disso, as declarações do autor do atentado ao longo das sessões foram confusas em repetidas ocasiões, marcadas por divagações desconexas e teorias da conspiração.
Antes do atentado, homem havia trabalhado no sistema prisional alemão com pessoas que sofrem de dependência química. À emissora alemã MDR, a clínica psiquiátrica no qual ele atuou, uma instituição estadual, afirmou que ele estava afastado da função, por ter sido avaliado como inapto para o trabalho.
O julgamento, concluído nesta sexta-feira em sua 41ª sessão com a leitura da sentença, colheu o depoimento de um total de 109 testemunhas e oito peritos. Ao todo, 204 pessoas afetadas se apresentaram como assistentes de acusação, representadas por cerca de 40 advogados.
O processo, iniciado em 10 de novembro de 2025, foi realizado em uma estrutura temporária erguida especificamente para este fim, com uma área de 4.700 metros quadrados, plenário com capacidade para cerca de 700 pessoas e os mais rígidos protocolos de segurança.
md (EFE, AFP)
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