O ataque ocorreu em meio a uma série de ofensivas coordenadas contra posições do Exército malinês, em um momento de crescente instabilidade política e militar no país. A morte do ministro representa um duro golpe para o governo de transição e evidencia a capacidade de atuação dos grupos jihadistas, mesmo em áreas consideradas fortemente protegidas.
No norte do Mali, a situação também se deteriorou com a retirada de soldados russos do Afrika Korps da cidade de Kidal. Rebeldes tuaregues anunciaram neste domingo terem chegado a um "acordo" que permitiu a saída das forças malinesas e de seus aliados russos do Campo 2, onde estavam entrincheirados. De acordo com os rebeldes, Kidal está agora "completamente" sob seu controle.
Um oficial tuaregue afirmou à AFP que o acordo foi firmado no sábado e resultou na retirada de um comboio militar da cidade. Moradores confirmaram a saída das forças estrangeiras e relataram que combatentes de grupos armados passaram a ocupar as ruas de Kidal, antigo reduto da rebelião tuaregue e ponto estratégico do conflito do norte malinês.
Reação da UE
A União Europeia reagiu neste domingo condenando "veementemente os ataques terroristas" ocorridos no sábado. Em comunicado divulgado pelo gabinete da Alta Representante para as Relações Exteriores e a Política de Segurança, Kaja Kallas, o bloco expressou solidariedade ao povo do Mali e reafirmou seu compromisso com a luta contra o terrorismo.
"Reafirmamos nossa determinação na luta contra o terrorismo, bem como nosso compromisso com a paz, a segurança e a estabilidade no Mali e em todo o Sahel", afirmou a UE, um dia após a intensificação dos ataques.
As Nações Unidas apelaram a uma resposta internacional à violência e ao terrorismo nesta região do Sahel. "O Secretário-Geral (da ONU) está profundamente preocupado com as notícias de ataques em vários locais do Mali. Ele condena veementemente esses atos de violência", escreveu um porta-voz da ONU na rede social X.
Os acontecimentos reforçam o cenário de fragilidade no Mali, que desde 2012 enfrenta sucessivas insurgências, golpes de Estado e a expansão de grupos armados, apesar da presença de forças estrangeiras e acordos militares firmados nos últimos anos.
RFI e AFP