Ataques jihadistas e avanço rebelde aprofundam crise no Mali após morte do ministro da Defesa

A crise de segurança no Mali se agravou neste fim de semana após a morte do ministro da Defesa do país, Sadio Camara, e a perda do controle da cidade de Kidal, no norte. Camara foi morto no sábado (25) durante um ataque à base militar de Kati, nas proximidades da capital Bamako. A ação foi reivindicada pelo Jama'at Nusrat al‑Islam wal‑Muslimin (JNIM), grupo jihadista ligado à Al‑Qaeda, apurou a RFI neste domingo (26).

26 abr 2026 - 09h57
(atualizado às 10h24)

O ataque ocorreu em meio a uma série de ofensivas coordenadas contra posições do Exército malinês, em um momento de crescente instabilidade política e militar no país. A morte do ministro representa um duro golpe para o governo de transição e evidencia a capacidade de atuação dos grupos jihadistas, mesmo em áreas consideradas fortemente protegidas.

O ministro da Defesa do Mali, Sadio Camara, em Moscou, em 28 de fevereiro de 2024.
O ministro da Defesa do Mali, Sadio Camara, em Moscou, em 28 de fevereiro de 2024.
Foto: RFI

No norte do Mali, a situação também se deteriorou com a retirada de soldados russos do Afrika Korps da cidade de Kidal. Rebeldes tuaregues anunciaram neste domingo terem chegado a um "acordo" que permitiu a saída das forças malinesas e de seus aliados russos do Campo 2, onde estavam entrincheirados. De acordo com os rebeldes, Kidal está agora "completamente" sob seu controle.

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Um oficial tuaregue afirmou à AFP que o acordo foi firmado no sábado e resultou na retirada de um comboio militar da cidade. Moradores confirmaram a saída das forças estrangeiras e relataram que combatentes de grupos armados passaram a ocupar as ruas de Kidal, antigo reduto da rebelião tuaregue e ponto estratégico do conflito do norte malinês.

Reação da UE

A União Europeia reagiu neste domingo condenando "veementemente os ataques terroristas" ocorridos no sábado. Em comunicado divulgado pelo gabinete da Alta Representante para as Relações Exteriores e a Política de Segurança, Kaja Kallas, o bloco expressou solidariedade ao povo do Mali e reafirmou seu compromisso com a luta contra o terrorismo.

"Reafirmamos nossa determinação na luta contra o terrorismo, bem como nosso compromisso com a paz, a segurança e a estabilidade no Mali e em todo o Sahel", afirmou a UE, um dia após a intensificação dos ataques.

As Nações Unidas apelaram a uma resposta internacional à violência e ao terrorismo nesta região do Sahel. "O Secretário-Geral (da ONU) está profundamente preocupado com as notícias de ataques em vários locais do Mali. Ele condena veementemente esses atos de violência", escreveu um porta-voz da ONU na rede social X.

Os acontecimentos reforçam o cenário de fragilidade no Mali, que desde 2012 enfrenta sucessivas insurgências, golpes de Estado e a expansão de grupos armados, apesar da presença de forças estrangeiras e acordos militares firmados nos últimos anos.

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RFI e AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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