Agente do ICE nega acusação de mentir sobre tiroteio em Minneapolis

18 set 2026 - 15h39
Resumo
O agente do ICE Christian Castro declarou-se inocente de mentir ao FBI sobre ter sido atacado antes de atirar em um venezuelano em Minneapolis, durante operação de deportação do governo Trump. Primeiro agente acusado pelo Departamento de Justiça na ação, Castro alegou legítima defesa, mas vídeos revelaram que ele disparou de pé contra a porta da casa da vítima, desmentindo sua versão. Ele responde a processos federal e estadual por agressão e falso testemunho após longa disputa de extradição.

Um agente de imigração dos Estados Unidos se ‌declarou inocente nesta sexta-feira das acusações federais de ter mentido ao FBI, ao alegar que foi atacado antes de atirar na perna de um venezuelano em Minneapolis no auge das operações de deportação do presidente Donald Trump, em janeiro.

Christian Castro, que foi suspenso sem remuneração de seu cargo como agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), é o primeiro agente federal ⁠a ser acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de irregularidades na Operação Metro Surge, que ‌envolveu o envio de milhares de agentes armados e mascarados às cidades de Minnesota no inverno passado (no hemisfério Norte).

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Promotores federais sustentam que Castro mentiu ao dizer aos investigadores que Julio Sosa-Celis, ‌de 24 anos, e outras pessoas estavam atacando-o com uma ‌vassoura e uma pá de neve quando ele disparou sua arma.

A declaração de inocência  de ⁠Castro no Tribunal Distrital dos EUA em Saint Paul ocorre um dia após ele responder a acusações estaduais separadas de agressão de segundo grau com arma perigosa e de falsa denúncia de crime, apresentadas pelos promotores do condado de Hennepin, na vizinha Minneapolis.

As audiências no tribunal seguem-se a uma extraordinária batalha jurídica de meses para que Castro, que mora no Texas, fosse devolvido ‌a Minneapolis. As acusações estaduais foram apresentadas em maio, mas Castro, de 52 anos, passou 90 dias ‌em uma prisão do condado ⁠no Texas depois que ⁠o governador Greg Abbott, do Partido Republicano, se recusou a assinar os documentos de extradição enviados pelo governador de ⁠Minnesota, Tim Walz, do Partido Democrata.

Poucos dias após ‌sua libertação no início deste mês, ‌ele foi preso novamente depois que um grande júri federal apresentou seis acusações de prestação de declarações materialmente falsas, crime que prevê pena máxima de seis anos de prisão.

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Castro dirigiu do Texas até Minneapolis na quarta-feira para se entregar, segundo seus advogados, e passou ⁠a noite na prisão do condado de Hennepin antes de ser libertado sob fiança.

Após o tiroteio não fatal ocorrido em 14 de janeiro, Castro disse aos investigadores que atirou em Sosa-Celis, um motorista de entrega venezuelano, quando ele e outro homem o atacaram durante uma briga no chão. Sua versão foi repetida pela então secretária ‌de Segurança Interna, Kristi Noem, e por outras autoridades do governo Trump, ao defenderem o aumento amplamente contestado das medidas de fiscalização de imigração em Minnesota.

Os promotores afirmam que a ⁠versão de Castro foi refutada por provas em vídeo, o que forçou o Departamento de Justiça a retirar a acusação contra Sosa-Celis e abrir uma investigação criminal contra Castro.

A promotora do condado de Hennepin, Mary Moriarty, disse que as imagens de vídeo mostraram que Castro estava em pé e atirou de curta distância através da porta da frente da casa de Sosa-Celis, ferindo o homem na perna.

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"O Sr. Castro inventou uma história para justificar ter atirado através da porta da frente de uma casa onde havia várias pessoas", disse Moriarty a jornalistas após a audiência na justiça estadual na quinta-feira. "A bala que ele disparou ficou alojada na parede do quarto de uma criança."

O advogado de Castro, Daniel Gerdts, preferiu não comentar.

O gabinete de Moriarty continua investigando os agentes federais de imigração que mataram a tiros Renee Good e Alex Pretti, ambos cidadãos norte-americanos, em janeiro.

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