A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos anunciaram nesta quinta-feira que vão monitorar o impacto de microplásticos e produtos farmacêuticos na água potável, primeiro passo para avaliar seus riscos à saúde e moldar novas políticas.
O anúncio conjunto foi saudado pelo administrador da EPA, Lee Zeldin, e pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy, Jr., como uma vitória para a agenda "Make America Healthy Again" (tornar a América saudável novamente) do presidente Donald Trump, cujas prioridades incluíram a redução do número de vacinas infantis recomendadas e a promoção de alimentos integrais em novas diretrizes dietéticas.
A EPA agora vai incluir microplásticos e produtos farmacêuticos na sexta Lista de Candidatos a Contaminantes, o que significa que eles devem começar a ser testados e monitorados de acordo com a Lei de Água Potável Segura, além de receber financiamento para pesquisas — passo preliminar para uma futura regulamentação, caso se determine que representem ameaça aos sistemas públicos de água.
Zeldin e a EPA foram criticados pelos ativistas da MAHA por não terem abordado suas preocupações, incluindo os microplásticos, e por não terem aplicado regras mais rigorosas aos pesticidas.
Apoiadores de RFK Jr. e sua plataforma "MAHA" ajudaram a eleger o presidente Donald Trump em 2024.
Sete governadores dos EUA de estados como Nova Jersey e Michigan, assim como 175 grupos ambientais e de saúde, entraram com uma petição legal no final do ano passado pedindo que a EPA adicione microplásticos à lista de contaminantes a serem monitorados. A lista é atualizada a cada cinco anos.
Os microplásticos são pedaços microscópicos de plástico que foram descobertos em toda parte, desde o interior de corpos humanos até a água potável e as profundezas dos oceanos e do gelo do Ártico. Alguns estudos os associaram a cânceres ou danos reprodutivos.
Quando Kennedy concorreu à indicação democrata para a presidência em 2024, ele se comprometeu a combater a poluição plástica, inclusive sua produção. Posteriormente, ele apoiou o candidato republicano Trump, cujo governo alertou no ano passado os países a se oporem a qualquer tentativa de limitar a produção de plástico em um possível tratado da ONU sobre o tema.
Os produtos farmacêuticos entram nos sistemas de água por meio de descarte inadequado e resíduos humanos.
"Ao colocar microplásticos e produtos farmacêuticos na Lista de Candidatos a Contaminantes pela primeira vez, a EPA está enviando uma mensagem clara: seguiremos a ciência, buscaremos respostas e nos manteremos nos mais altos padrões para proteger a saúde de todas as famílias americanas", disse Zeldin em um comunicado.
A agência também divulgará referências de saúde humana para 374 produtos farmacêuticos a serem monitorados.