'A previsibilidade tem valor': Macron reage às acusações de Trump sobre cooperação da França na guerra

O presidente francês, Emmanuel Macron, que realiza uma visita oficial ao Japão, reagiu nesta quarta-feira (1º) às acusações do presidente americano, Donald Trump, dirigidas à França e à Otan, depois que Paris proibiu, no sábado (28), o sobrevoo de seu espaço aéreo por aviões americanos carregados de munição destinada às operações no Oriente Médio.

1 abr 2026 - 07h27

Em sua rede social Truth Social, Trump fez duras críticas aos países europeus que se recusam a se envolver na guerra contra o Irã, mencionando diretamente a França, que vetou o sobrevoo de aeronaves transportando material militar para Israel. Segundo o presidente americano, o governo francês tem ajudado muito pouco, e os Estados Unidos "se lembrarão" dessa decisão.

Em Tóquio, o presidente francês, Emmanuel Macron, discursa no Fórum de Cooperação Econômica entre a França e o Japão. 1º de abril de 2026
Em Tóquio, o presidente francês, Emmanuel Macron, discursa no Fórum de Cooperação Econômica entre a França e o Japão. 1º de abril de 2026
Foto: REUTERS - Issei Kato / RFI

Durante um evento com empresários e investidores japoneses em Tóquio, Macron respondeu indiretamente às críticas de Trump.

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"A previsibilidade tem valor. Estamos aqui e vocês sabem para onde iremos. Isso já é muito nesta época em que vivemos, acreditem em mim. Porque, quando você se depara com pessoas que dizem: 'Nós vamos muito rápido', você não sabe onde estarão amanhã. E, se amanhã tomarem uma decisão que pode te atingir, sem sequer te avisar, isso precisa ser considerado", declarou o presidente francês.

As ameaças do líder americano à Europa estampam as capas dos principais jornais franceses nesta quarta-feira.

"Incapaz de pôr fim à guerra que iniciou, o republicano culpa os países europeus, que em breve começarão a sofrer com a falta de combustíveis", afirma o jornal Les Echos. "'Virem-se sozinhos': essa foi a mensagem que Trump enviou às nações aliadas aos Estados Unidos que se recusam a se envolver na guerra contra o Irã."

O desafio de abrir o Estreito de Ormuz

No centro da disputa está o controle do Estreito de Ormuz, que o Irã mantém sob pressão em resposta aos ataques americanos e israelenses. Cerca de 20 países, entre eles a França, comprometeram-se a integrar a operação destinada a proteger o tráfego dos petroleiros que abastecem a Europa. Mas, como lembra a imprensa francesa, nenhum deles quer assumir riscos enquanto Teerã ameaça retaliar.

O Les Echos observa ainda que o último carregamento de combustíveis para aviação deve chegar nesta semana e alerta que a Europa precisa se preparar para um aumento imediato no preço das passagens aéreas.

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"Trump está pronto para abandonar o Estreito de Ormuz ao Irã", afirma o Le Figaro. O jornal destaca que, nos últimos dias, o presidente americano vem multiplicando declarações sobre o fim da guerra, alegando que os objetivos militares já foram atingidos e que teria havido até mesmo uma mudança de rumo no regime iraniano. Nessa lógica, a responsabilidade pela segurança dos petroleiros passaria a recair sobre os países que dependem do estreito para garantir seu abastecimento energético. Afinal, como reforçou Trump, "os Estados Unidos têm muito petróleo".

Já o Le Monde concentra-se nas tensões diretas entre Washington, Tel Aviv e Paris. O diário recorda que a França recusou autorizar o sobrevoo de aviões americanos transportando equipamentos militares destinados a Israel, gesto que levou o governo israelense a anunciar que encerrará suas importações de armamento francês. Trump também não poupou críticas, acusando Paris de nada fazer para ajudar a desbloquear o Estreito de Ormuz e avisando que Washington "se lembrará" dessa decisão.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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