No primeiro encontro entre os chanceleres da Alemanha e da Rússia desde 2022, Johann Wadephul e Sergei Lavrov reuniram-se a portas fechadas na ONU, a pedido de Berlim. Em meio a fortes tensões bilaterais, o ministro alemão cobrou negociações de paz sérias na Ucrânia, o fim da escalada contra a Europa e um acordo para exportações de grãos no Mar Negro. Wadephul também reiterou o apoio contínuo a Kiev, mesmo após recentes incidentes e ataques híbridos atribuídos a Moscou em território alemão.
Os ministros Johann Wadephul e Sergei Lavrov se reuniram às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, se reuniu neste sábado (26/09) com seu homólogo alemão, Johann Wadephul, no primeiro encontro entre os chefes da diplomacia de ambos os países desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.
A conversa a portas fechadas durou pouco mais de 20 minutos e transcorreu às margens da Assembleia Geral da ONU em Nova York, antes de Lavrov discursar perante a comunidade internacional. Ao final, os dois apertaram as mãos diante da imprensa.
"A reunião foi solicitada pela parte alemã", afirmou a porta-voz da pasta, Maria Zakharova, a jornalistas russos.
Segundo Zakharova, a parte alemã exigiu limitar a presença da mídia, que não houvesse perguntas da imprensa e que não fosse gravado o início da reunião.
Guerra na Ucrânia
Segundo o ministério russo das Relações Exteriores, os dois discutiram as relações bilaterais e a guerra na Ucrânia.
Wadephul instou a Rússia a fazer "tudo o que for possível para chegar a um acordo sobre as exportações de grãos pelo Mar Negro", disse uma fonte da delegação alemã.
As exportações por ali, tanto do lado russo quanto ucraniano, caíram drasticamente nos últimos meses, em meio a ataques a embarcações e à infraestrutura portuária.
A Rússia, contudo, não deu qualquer indicação pública clara de que apoia um cessar-fogo limitado na região.
Wadephul tem pressionado por negociações "sérias" que levem à paz na Ucrânia. Na última quarta-feira, ele acusou Moscou de cometer "crimes de guerra ao atacar hospitais, residências e infraestruturas energéticas na Ucrânia [...] e navios carregados de grãos nos portos ucranianos do Mar Negro".
"Quem, para negociar, estabelece pré-requisitos que correspondem às suas exigências máximas; quem caça civis com drones, sem consideração; quem escala sempre mais, não quer negociar seriamente", afirmou.
Na sexta-feira, porém, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que os ataques ucranianos durante as recentes eleições legislativas afastam a possibilidade de retomar as negociações de paz estagnadas desde fevereiro.
Relações entre Alemanha e Rússia andam tensas
As relações entre Moscou e Berlim, uma importante aliada da Ucrânia, estão profundamente abaladas desde a invasão russa, e as tensões aumentaram ainda mais após uma tentativa de ataque com drone no aeroporto Leipzig/Halle, no leste da Alemanha, em agosto.
O governo alemão apontou a Rússia como responsável pelo episódio, e retaliou com o fechamento do consulado em Bonn e de um centro cultural em Berlim. A embaixada russa em Berlim rejeitou as acusações.
Wadephul aproveitou as conversas para pedir à Rússia que "abandone o perigoso caminho da escalada em relação à Alemanha, à Europa e à Otan", de acordo com a fonte da delegação alemã.
O ministro teria dito que episódios como a tentativa de ataque em Leipzig ou outros ataques híbridos não abalarão a determinação da Alemanha em continuar apoiando a Ucrânia.
ra (Reuters, EFE, AP)
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