Irã executa primeiros condenados por protestos de janeiro

Executados foram acusados de matar agentes de segurança; EUA pressionavam pela suspensão das sentenças contra manifestantes

19 mar 2026 - 07h20
(atualizado às 07h57)
Pessoas se reúnem durante um protesto em 8 de janeiro de 2026 em Teerã, Irã.
Pessoas se reúnem durante um protesto em 8 de janeiro de 2026 em Teerã, Irã.
Foto: Anônimo/Getty Images

O Irã anunciou nesta quinta-feira, 19, as três primeiras execuções de presos condenados por sua participação nos protestos de massa contra o regime dos aiatolás que tomaram o país janeiro. Eles eram acusados de envolvimento na morte de dois agentes de segurança.

"Os três condenados foram enforcados na cidade de Qom após serem declarados culpados de assassinato e de realizar ações operacionais em favor de Israel e dos Estados Unidos", informou a agência Mizan, do Poder Judiciário iraniano.

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Os executados foram identificados como Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi e sentenciados à morte pelo crime de moharebeh (inimizade contra Deus), conceito legal usado para punir delitos contra a segurança pública, o islã e espionagem.

A Justiça afirma que eles teriam atacado os agentes com armas brancas e que confessaram os fatos durante as diferentes fases do processo judicial. Segundo a Mizan, as execuções ocorreram depois que o Supremo Tribunal confirmou as sentenças e após "a conclusão dos procedimentos legais, na presença de advogados de defesa".

Os protestos de janeiro, que pediam o fim da República Islâmica, foram sufocados após uma repressão brutal que causou a morte de 3.117 pessoas, segundo o balanço oficial, embora organizações de direitos humanos como a HRANA, sediada nos EUA, tenham estimado o número em mais de 7.000. Cerca de 53.000 manifestantes foram detidos.

Os confrontos durante as manifestações alimentaram as justificativas americanas para desencadear a guerra contra Teerã. Washington pressionava o país para reverter a pena de morte em casos relacionados aos protestos. Em janeiro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, chegou a indicar que 800 execuções que estavam agendadas foram suspensas devido à diplomacia americana.

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Somente durante o ano de 2025 o Irã executou 1.500 pessoas, segundo dados da ONU, um aumento de 50% em relação ao ano anterior.

Cidadão sueco acusado de espionagem

Na quarta-feira, a ministra do Exterior da Suécia, Maria Malmer Stenergard, confirmou que um cidadão sueco também foi executado pelo regime iraniano, acusado de espionagem a serviço de Israel.

O Irã afirma que ele foi preso durante a guerra de junho do ano passado, e teria se encontrado com agentes israelenses e recebido treinamento em "seis países europeus e em Tel Aviv".Esta foi a primeira execução anunciada publicamente desde os ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro.

Segundo Stenergard, o acusado se tornou cidadão sueco em 2019 e o país tentou intervir "em todos os níveis possíveis", tanto na capital sueca quanto em Teerã. O Irã recusou o acesso consular alegando que não reconhecia o homem como cidadão sueco.

Nos últimos dias, segundo a imprensa local, centenas de pessoas foram detidas sob suspeita de colaborar com Israel e os EUA. No domingo, o chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, falou em 500 prisões por espionagem e por "fornecer informações ao inimigo e à mídia anti-iraniana". Com EFE e AFP.

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