Irã adverte que Estreito de Ormuz é "linha vermelha" e que resistirá até o fim

16 jul 2026 - 07h55
(atualizado às 08h18)

O Irã afirmou nesta quinta-feira ‌que o Estreito de Ormuz é uma "linha vermelha" inviolável, alertando que, caso o presidente dos EUA, Donald Trump, cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo.

Os EUA lançaram uma quinta noite de ataques na quarta-feira e restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos, que, segundo Washington, tem como objetivo reabrir o Estreito de ⁠Ormuz, fechado pelo Irã no último sábado após o colapso de uma trégua frágil.

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Após os primeiros ‌ataques na noite de quarta-feira, o principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, divulgou um comunicado afirmando: "Estamos em uma guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos".

O porta-voz do Exército iraniano, ‌general Mohammad Akraminia, disse na quinta-feira que o Estreito de ‌Ormuz, que transportava cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás antes ⁠da guerra, é uma "linha vermelha" para o Irã, sobre a qual o país mantém controle firme.

"Os norte-americanos pensaram que, ao atacar algumas de nossas bases na costa sul do país, poderiam assumir o controle desse estreito estratégico", afirmou Akraminia.

"No entanto, a República Islâmica do Irã tem a capacidade de exercer controle sobre o Estreito de Ormuz a partir de qualquer ponto de seu território, ‌e essa questão nunca depende de costas e ilhas."

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Três autoridades norte-americanas disseram à Reuters que os ataques ‌dos EUA, que visam forçar a ⁠abertura do estreito, também ⁠têm como alvo as capacidades militares iranianas que os EUA gostariam de destruir antes de executar operações mais ⁠complexas.

O Exército iraniano havia afirmado anteriormente, em referência ao ‌estreito: "Sem dúvida, resistiremos até o ‌fim e neutralizaremos as intervenções americanas na região".

O porta-voz militar do Irã afirmou que a única maneira de reabrir o Estreito de Ormuz seria os EUA cumprirem o memorando de entendimento de 14 pontos que as duas partes assinaram em junho, bem como a implementação ⁠das "normas iranianas" relativas ao tráfego marítimo no estreito.

IRÃ ALERTA TRUMP CONTRA ATAQUES À SUA INFRAESTRUTURA

Trump ameaçou na terça-feira atacar usinas de energia e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações.

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Akraminia disse que, caso Trump cumpra a ameaça, as Forças Armadas do Irã atacariam "toda a infraestrutura restante" na região, e a resposta ‌seria mais severa, de maior alcance e mais destrutiva do que os ataques anteriores.

O Irã afirmou na quinta-feira que havia mirado bases norte-americanas no Kuweit e na Jordânia, alertando seus vizinhos ⁠de que permitir que os EUA lancem ataques contra o país não ficaria sem resposta.

"Nossos vizinhos devem saber que fornecer uma base aos norte-americanos e permitir que eles atirem em solo iraniano é inaceitável e não ficará sem resposta", declarou o Exército iraniano em um comunicado.

A mais recente escalada e as ameaças do Irã de interromper ainda mais as exportações regionais de energia e, possivelmente, atacar infraestruturas regionais levantam o espectro de um retorno à guerra em grande escala na região.

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Analistas afirmam que o Irã sinalizou que pode usar seus aliados houthis no Iêmen para bloquear o estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e colocando em risco outra das artérias energéticas mais vitais do mundo.

A guerra já matou milhares de pessoas e deslocou milhões, principalmente no Irã e no Líbano, onde o conflito recomeçou entre Israel e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.

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