Preenchimentos genitais com ácido hialurônico, gordura ou plasma rico em plaquetas (PRP) vêm sendo buscados por homens e mulheres para fins estéticos e sexuais. Apesar de prometerem aumento peniano e maior sensibilidade, os resultados são temporários e carecem de comprovação sólida. Além disso, os riscos são severos: cerca de 9% dos homens sofrem complicações, que variam de nódulos e infecções a necrose tecidual, amputações e até mortes por embolia, alertando para o perigo desses procedimentos.
Os preenchimentos estéticos estão por todo lado — suavizando rugas, dando mais volume às bochechas e aumentando o volume ao redor dos olhos, do nariz e dos lábios em clínicas por todo o mundo. Mas agora alguns homens agora estão recorrendo a injeções de preenchimento no pênis para aumentar seu tamanho.
Esses preenchimentos geralmente contêm ácido hialurônico, uma substância encontrada naturalmente no corpo que retém água nos tecidos — e é por isso que consegue suavizar rugas e linhas finas.
Quando injetado no pênis, o ácido hialurônico pode aumentar a circunferência do órgão. Um estudo coreano constatou um aumento médio da circunferência (em estado flácido) de 2,3 cm, ou quase 30%. Mais da metade dos homens que receberam preenchimento com ácido hialurônico, no entanto, precisou de uma média de 1,5 injeção de retoque adicional para "corrigir irregularidades no contorno".
Um dos problemas deste procedimento, porém, é que os resultados não duram para sempre. O corpo produz naturalmente uma enzima chamada hialuronidase, que degrada gradualmente o preenchimento. Em 18 meses, cerca de 44% do aumento resultante da injeção já foi perdido. São necessárias injeções repetidas para manter o efeito.
Em situações em que as injeções de preenchimento deram errado, isso também significa que os efeitos podem ser revertidos com injeções de hialuronidase, embora leve algumas horas para fazer efeito.
Procedimentos não isentos de riscos
As pesquisas sobre preenchimentos genitais são limitadas no que diz respeito aos riscos, mas um estudo recente estimou que complicações acontecem em cerca de 9% dos homens que recebem preenchimentos com ácido hialurônico.
Essas complicações podem incluir hematomas e inchaço, bem como protuberâncias e nódulos. Problemas mais graves incluem irritação cutânea, degradação de tecidos e infecções.
O momento em que esses problemas surgem pode variar. Sangramento e hematomas tendem a ocorrer durante a primeira ou segunda semana. Os nódulos podem surgir por volta da terceira semana. Já as infecções geralmente surgem por volta da sexta ou sétima semana após o tratamento, embora também possam ocorrer anos depois do procedimento.
Em casos graves, a infecção pode evoluir rapidamente para falência múltipla de órgãos. Também já ocorreram casos de necrose tecidual que exigiu a remoção de parte do pênis. E, em março, o influenciador de redes sociais Igho Ubiribo, conhecido como "Ego", morreu devido a uma embolia pulmonar após um procedimento de preenchimento peniano na Tailândia.
O ácido hialurônico também não é a única forma que os homens estão tentando aumentar o tamanho de seu pênis. Outra opção envolve retirar gordura de outras partes do corpo e injetá-la no órgão. E isso traz seus próprios riscos. Entre eles estão a injeção de gordura na área errada, bem como inchaço e hematomas. Os homens também podem desenvolver nódulos ou deformidades causadas pela distribuição irregular da gordura ou pela morte da gordura injetada.
Há também o risco de infecção por bactérias como S. aureus ou E. coli. Nos casos mais graves, o tecido pode necrosar ou o paciente pode morrer de uma embolia gordurosa.
Procedimento comercializado para homens e mulheres
Outro tratamento oferecido para o aprimoramento sexual é o PRP, ou plasma rico em plaquetas.
Essas injeções não são comercializadas apenas para homens. A chamada "P-shot", ou injeção de Príapo, é promovida para homens, enquanto a "O-shot", ou injeção do orgasmo, é vendida para mulheres.
O procedimento envolve a coleta de sangue do braço do paciente e sua centrifugação em alta velocidade para separar os diferentes componentes. A parte rica em plaquetas é então injetada na área-alvo.
As alegações em torno do PRP podem ser amplas, e o termo "melhoria" pode significar coisas muito diferentes.
O PRP não se destina a aumentar o tamanho do pênis. Em vez disso, tem sido promovido como uma forma de melhorar a aparência, o fluxo sanguíneo e a função nervosa.
Para as mulheres, o O-shot envolve injeções nos lábios vaginais ou no clitóris. As alegação são de que isso aumenta a sensibilidade vaginal, melhora a satisfação sexual e facilita o alcance do orgasmo. Mas as evidências para essas alegações são fracas.
O PRP também tem sido estudado em homens com disfunção erétil, e uma revisão encontrou evidências de melhorias moderadas. Um estudo mais recente, no entanto, sugere que o benefício pode ser menor do que se pensava anteriormente.
Nas mulheres, o PRP também tem sido estudado como tratamento para a incontinência urinária de esforço e o prolapso dos órgãos pélvicos. Uma revisão sistemática constatou alguma melhora nos sintomas.
Mesmo assim, a Associação Europeia de Urologia afirma que não há evidências suficientes para recomendar o PRP no tratamento da disfunção erétil.
Esse é um ponto importante ao se considerar tratamentos cosméticos e de aprimoramento sexual.
Muitos desses procedimentos surgiram inicialmente como tratamentos para condições médicas que afetam as mesmas partes do corpo. Mas tratar um problema médico não é o mesmo que alterar a aparência de alguém.
Quando se trata do pênis e dos órgãos reprodutivos, a aparência também tem pouca influência sobre a fertilidade ou a capacidade de gerar filhos.
Muitos desses tratamentos prometem uma melhora rápida na aparência ou na função sexual. Mas, até que tenhamos estudos maiores e de melhor qualidade, é difícil saber se esses benefícios compensam os riscos potenciais.
Adam Taylor não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.