Gasolina sem etanol pode voltar a ser vendida no Brasil; veja propostas

Impasse sobre o percentual de etanol na gasolina reacende o debate em Brasília sobre a oferta de combustível puro para carros antigos e importados

25 set 2026 - 07h11
Resumo
A introdução da gasolina E32 (32% de etanol) em 2026 gerou protestos de proprietários de carros não flex e motivou projetos de lei para permitir combustíveis com menor teor ou puros (E0 e E10). As propostas visam proteger cerca de 30 milhões de veículos, enquanto a mistura de etanol segue defendida historicamente como suporte ao setor sucroalcooleiro, redutora da dependência externa de petróleo, antidetonante ecológico contra aditivos tóxicos e aliada na diminuição de gases do efeito estufa.

A gasolina E32 — com 32% de etanol anidro na composição — começou a ser vendida nos postos brasileiros em 2026. A mudança, no entanto, gerou forte contestação e acendeu o alerta em proprietários de veículos antigos, modelos de coleção e carros sem tecnologia flex.

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Por conta do impasse, novos projetos de lei tramitam em Brasília (DF) para obrigar os postos a oferecerem opções com menor teor de álcool vegetal ou até a gasolina totalmente pura (E0).

As propostas visam proteger a frota de veículos não flexíveis, estimada em cerca de 30 milhões de unidades no país.

Outra iniciativa é a Ideia Legislativa 227319, que espelha o modelo norte-americano e já reúne mais de 20 mil assinaturas no portal e-Cidadania. O texto sugere que os postos comercializem as versões E0 (pura) e E10 (com no máximo 10% de etanol).

Por fim, o Projeto de Lei Complementar 249/2026, do deputado Messias Donato (União-ES), autoriza os Estados a permitirem a venda das opções E0 e E10 conforme a demanda local.

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Por que nossa gasolina contém etanol na mistura?

A adição de etanol à gasolina brasileira não é recente. A prática começou na década de 1930 para reduzir a dependência das importações de petróleo e apoiar o setor sucroalcooleiro. O movimento ganhou escala global nos anos 1970 com a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), desenvolvido para conter os impactos das crises mundiais do petróleo no orçamento do país.

Além do fator histórico e econômico, o etanol anidro cumpre papéis fundamentais no combustível moderno. O composto atua como um antidetonante natural, substituindo aditivos tóxicos como o chumbo tetraetila para aumentar a octanagem da gasolina. Do ponto de vista ambiental, o biocombustível ajuda a reduzir as emissões de monóxido de carbono e gases de efeito estufa, alinhando a matriz energética nacional às metas globais de descarbonização.

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