O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A investigação foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e busca apurar a atuação de um grupo de pessoas suspeito de manter negócios ilícitos em áreas do governo federal.
Na mesma decisão, Dino também autorizou a abertura de um quarto procedimento para investigar o suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas às apurações. Com a nova autorização, Lulinha passa a responder a três investigações em tramitação no STF, todas originadas de pedidos apresentados pela Polícia Federal.
O que investiga o novo inquérito?
Segundo a PF, o novo inquérito pretende esclarecer a possível atuação de um grupo que teria intermediado interesses privados junto a órgãos do governo federal.
Os investigadores afirmam que a apuração busca reunir elementos para verificar se houve favorecimento indevido em negociações envolvendo a administração pública. Até o momento, não houve divulgação de detalhes sobre os fatos específicos que motivaram a nova investigação.
Além do inquérito principal, o STF determinou a abertura de outra investigação para identificar a origem de possíveis vazamentos de informações protegidas por sigilo.
Defesa diz receber investigação com tranquilidade
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que recebeu a abertura do novo inquérito com tranquilidade e declarou confiar na condução das investigações pelo ministro Flávio Dino. Os advogados sustentam que o procedimento permitirá esclarecer qualquer dúvida sobre as atividades pessoais e profissionais de Fábio Luís Lula da Silva e reiteram que ele não possui relação com irregularidades.
A defesa também criticou o que classificou como vazamentos seletivos de informações da investigação, afirmando que determinados setores da Polícia Federal estariam sendo utilizados para fins político-eleitorais. Ao mesmo tempo, destacou reconhecer o trabalho da direção-geral da corporação na preservação da autonomia da instituição.
Segundo os advogados, outras investigações anteriores já demonstraram que Lulinha não teve participação direta ou indireta em atos ilícitos.
Outros dois inquéritos foram autorizados na última semana
O novo procedimento é o terceiro autorizado contra Lulinha em menos de uma semana. No dia 30 de julho, o ministro André Mendonça, também do STF, autorizou a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde.
De acordo com a Polícia Federal, Lulinha teria atuado em favor de interesses ligados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
No dia seguinte, André Mendonça autorizou uma segunda investigação para apurar suspeitas de favorecimento a empresários interessados em contratos com a Dataprev e outros órgãos da administração federal. Nesse caso, a PF apura possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações tiveram origem em elementos reunidos durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Polícia Federal, os inquéritos não investigam diretamente essas fraudes, mas eventuais atuações de Lulinha em favor de empresários e lobistas junto ao governo federal.
Lula mantém discurso de que investigações devem prosseguir
Segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ouvidos pelo blog do jornalista Valdo Cruz, o chefe do Executivo tem afirmado que não fará qualquer interferência nas investigações, mesmo quando envolvem seu filho.
De acordo com assessores do presidente, não há indícios de que Lulinha tenha obtido vantagens dentro do governo para beneficiar pessoas próximas ou empresários.
A avaliação do Palácio do Planalto é que o tema deverá ser explorado durante a campanha eleitoral pela oposição, mas que o presidente manterá o discurso de que qualquer responsabilidade individual deve ser apurada pelas autoridades competentes.