João Campos perde disputa em PE e fracassa na tentativa de se colocar na sucessão de Lula

Derrota para Raquel Lyra interrompe projeto do prefeito do ex-prefeito do Recife de ampliar sua projeção nacional

5 out 2026 - 04h57
João Campos perdeu a disputa ao governo de Pernambuco
João Campos perdeu a disputa ao governo de Pernambuco
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A derrota de João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco representa um revés para o projeto do ex-prefeito do Recife de ampliar sua projeção nacional e se apresentar como um possível nome para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2030. Essa é a avaliação de cientistas políticos consultados pelo Terra após Raquel Lyra (PSD) vencer o socialista em 1º turno nas eleições de domingo, 4. 

Aos 32 anos, o político deixa a eleição sem um cargo executivo estadual e terá de reconstruir seu espaço político a partir da capital pernambucana e da estrutura partidária. Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Ricardo Ismael, o resultado adia os planos de João Campos de buscar um protagonismo nacional. 

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“A derrota do João Campos adia para o futuro qualquer voo nacional”, afirmou Ricardo Ismael.

Na avaliação de Ismael, um dos principais fatores para o resultado foi o desempenho da governadora Raquel Lyra, que buscava a reeleição e chegou à disputa com uma avaliação positiva de sua gestão. Para o cientista, esse cenário dificultou a construção de um discurso de mudança pela campanha adversária.

O cientista político também aponta o peso da estrutura política construída pela governadora durante o mandato. Por estar no cargo e disputar a reeleição, Raquel teve condições de estabelecer parcerias com prefeituras em diferentes regiões do Estado, especialmente no Agreste e no Sertão.

“Como Raquel Lyra disputava a reeleição no cargo, isso permitiu a realização de muitas parcerias com prefeituras no Estado, e que têm peso no processo eleitoral na região Agreste e no Sertão pernambucano”, disse Ismael.

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Outro fator citado pelo cientista foi a estratégia adotada pelo presidente Lula (PT) em Pernambuco. O presidente manteve apoio tanto a João Campos quanto a Raquel Lyra, evitando transformar a eleição estadual em uma disputa direta entre seus aliados.

'Derrota atrasa, mas não encerra projeto nacional'

Para a cientista política e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Mariana Dionísio, o resultado representa um obstáculo para João Campos, mas não significa o fim de suas pretensões nacionais.

“A derrota não tira João Campos da sucessão, mas o enfraquece e atrasa o projeto. Se ele ainda é um nome nacional de 2030 vai depender mais do que acontecer nos próximos quatro anos do que da derrota em si”, avaliou.

Apesar do revés, Mariana destaca que a idade joga a favor do político pernambucano. Em 2030, João Campos ainda estará na casa dos 30 anos e poderá tentar reconstruir sua trajetória nos próximos anos.

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“Essas derrotas eleitorais precoces dificilmente são capazes de encerrar uma carreira, e a história política do País tem vários exemplos de nomes que perderam uma eleição e voltaram mais fortes”, ressaltou Mariana Dionísio.

Fonte: Portal Terra
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